
Na guerra das operadoras, vale a pena ser alvo
Não importa a idade, nem se há alguma data especial para comemorar: para conseguir clientes, valem promoções de todo tipo e o ano inteiro
Os olhos do pequeno Matheus, de 9 anos, estão fixos na vitrine repleta de celulares em uma loja no Centro de Campinas. O garoto campineiro sonha em ganhar da mãe Regiane um celular de presente de aniversário. Em poucos dias, Matheus vai engrossar as estatísticas que reforçam o espantoso crescimento do setor e deixam as empresas de telefonia móvel sorrind...
Na guerra das operadoras, vale a pena ser alvo
Não importa a idade, nem se há alguma data especial para comemorar: para conseguir clientes, valem promoções de todo tipo e o ano inteiro
Os olhos do pequeno Matheus, de 9 anos, estão fixos na vitrine repleta de celulares em uma loja no Centro de Campinas. O garoto campineiro sonha em ganhar da mãe Regiane um celular de presente de aniversário. Em poucos dias, Matheus vai engrossar as estatísticas que reforçam o espantoso crescimento do setor e deixam as empresas de telefonia móvel sorrindo à toa.
O número de usuários de celulares cresceu 11,61% entre janeiro e maio deste ano no País.Hoje, 52,4 milhões de pessoas utilizam o Serviço Móvel Pessoal (SMP). No início de 2004, eram 46,95 milhões. No pano de fundo do crescimento do setor está a "guerra" entre as operadoras, a sofisticação dos aparelhos e as facilidades de compra. No Estado de São Paulo, 13,85 milhões de pessoas usam a telefonia móvel.
As operadoras não revelam a quantidade de usuários na região de Campinas, mas todas ressaltam que as cidades da Região Metropolitana têm grande peso no faturamento obtido no Interior paulista. A Vivo, por exemplo, informou que a região do DDD 19 - que inclui a região de Campinas - responde por 25% dos usuários paulistas. No Interior de São Paulo, são mais de 3,5 milhões de pessoas que usam os serviços da operadora, que tem mais de 22 milhões de usuários no País.
A TIM tem mais de 3 milhões de usuários do sistema GSM e outros 9 milhões de TDMA.Para os analistas do setor, há espaço para todo mundo neste mercado, já que a taxa de penetração do serviço entre a população brasileira ainda está longe dos patamares de países europeus. Dados divulgados no site da Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel) mostram que a densidade (acessos ao SMP por cada 100 habitantes) é de 29,26 no País. "Ainda tem muito mercado para ser explorado. Uma prova é o crescimento verificado neste ano", afirma o gerente de Desenvolvimento de Mercado do Centro de Pesquisas e Desenvolvimento em Telecomunicações (CPqD), Raphael Balabanian.PromoçõesAs promoções são as armas mais eficientes usadas na "guerra" das empresas para atrair novos usuários ou, melhor ainda, tirar clientes das concorrentes. A artilharia conta com planos especiais, aparelhos mais baratos e novos serviços. As datas especiais são exploradas com toda força - como por exemplo o Dia dos Namorados. As operadoras ofereceram planos com minutos de ligações e "torpedos" (pequenas mensagens escritas) mais baratos ou mesmo gratuitos.Fora das datas especiais, os novos ou os antigos usuários também encontram produtos diferenciados oferecidos pelas empresas. A TIM, por exemplo, está com a promoção "Incrível 500" - um pacote com 500 minutos em ligações locais e um celular Siemens A55 por R$ 99,00 por mês.
A Claro tem a "Ganhe em Dobro" - até o próximo dia 31 de julho, os clientes da categoria Claro Cartão (pré-pago) que recarregarem o celular usando a promoção vão ganhar créditos no valor pago no cartão. A Vivo está com a promoção 'Relâmpago' para clientes do sistema pré-pago. Os usuários que adquirirem créditos de R$ 30,00 ganham mais 20% do valor para utilizar em ligações de Vivo para Vivo dentro da mesma área de registro.
O bônus é válido durante 30 dias após a formalização da participação na promoção, que vai até o próximo dia 25 deste mês.EstratégiasO diretor Regional Interior São Paulo da Vivo, Elder Miguel Alves da Silva, afirma que a empresa tem campanhas regionais para as promoções lançadas em nível nacional. "O Interior tem um potencial muito grande. A Vivo aposta na força do Interior, tanto que a empresa tem sete diretorias regionais", destaca.
Como se vê, a Vivo não é a única empresa do setor a ter descoberto isso.Vantagens e mais vantagensBem no meio da artilharia gerada pela guerra das operadoras, os consumidores não se importam em servir de alvo para as promoções. As vantagens apresentadas pelas empresas incluem aparelhos mais em conta, planos configurados para o bolso de diferentes públicos e uma gama cada vez mais variada de serviços. O cliente tem à disposição tanto aparelhos que custam R$ 99,00 quanto modelos que passam dos R$ 3 mil.
Os planos de pagamento chegam a 10 vezes, o que facilita o acesso à telefonia móvel de uma parte mais carente da população.Mas não são apenas os equipamentos que devem ser levados em conta na hora de escolher uma operadora de telefonia móvel. O consumidor deve observar o custo das tarifas e também os planos oferecidos pelas empresas. O gerente de Desenvolvimento de Mercado do CPqD, Raphael Balabanian, diz que o usuário deve analisar a cobertura da operadora, o tipo de modalidade do plano (pré ou pós-pago) e o valor das ligações."Os consumidores devem ler atentamente os anúncios feitos pelas operadoras sobre os preços dos aparelhos e também os planos oferecidos por elas.
As empresas estão moldando seus produtos para diferentes tipos de clientes, e é preciso analisar os valores das tarifas e se elas cabem em seu bolso agora e depois que a promoção acabar", recomenda. Para ele, o consumidor não pode cair seduzido apenas pelos aparelhos. O leque de tarifas e planos das operadoras é mesmo bastante grande. No caso de contratos de pós-pago, há opções que variam de mensalidades a partir de 29,90 até R$ 325,00 - o valor depende da empresa, do plano e da quantidade de minutos contratados pelo usuário.
O custo do minuto varia conforme a ligação: de celular para fixo, de celular para celular da mesma operadora ou de celular para celular de operadora diferente.Nos contratos de pré-pago, o usuário adquire créditos para serem usados durante o mês. O custo dos minutos das ligações é maior do que nos planos pós-pagos. O valor do minuto cobrado nos telefonemas de celular para fixo, por exemplo, fica entre R$ 0,68 a R$ 1,39. Nos contratos com mensalidade, esses valores giram de R$ 0,21 a R$ 1,05. Os custos das ligações, tanto no pré como no pós-pago, depende da operadora e dos planos contratados pelos usuários. (AL/AAN)
Fonte: Correio Popular - Adriana LeiteDa Agência Anhangüeraaleite@rac.com.br
28/06/2004