
Comunicação wireless ainda representa desafio
O maior desafio para os jornais será explorar a tecnologia por meio de celular ou de pocket PCs em uma comunicação direta com os leitores, fazendo assim uso das operadoras como canal de acesso, não de relacionamento. Essa foi uma das conclusões da pale...
Comunicação wireless ainda representa desafio
O maior desafio para os jornais será explorar a tecnologia por meio de celular ou de pocket PCs em uma comunicação direta com os leitores, fazendo assim uso das operadoras como canal de acesso, não de relacionamento. Essa foi uma das conclusões da palestra sobre O impacto das tecnologias wireless na mídia, no 5° Congresso Brasileiro de Jornais. Segundo o diretor de Desenvolvimento de Negócios Brasilecia Soluções em Tecnologia (RJ), Eduardo Prado, "a tecnologia wireless nâ mídia é uma oportunidade a ser perseguida, mas os detentores de coI1teúdos no Brasil estão atados, ou porque não querem ou porque não sabem como fazer". O executivo diz que o mundo passa por wna grande necessidade de conteúdo e os jornais já deveriam ter começado a produzi-Ios hámuito tempo. "O mercado da mídia passa por um desafio de consumo. Hoje o conteúdo é o rei e a mobilidade, a rainha", afirma Prado.
Para Cristiano Oliveira, diretor de Tecnologia da Spring Wtreless, de São Paulo, a distribuição de conteúdo em dispositivos móveis é um dos campos mais desafiantes da tecnologia wireless - a comunicação que dispensa fios ou cabos. Os palestrantes discutiram que existe uma grande oportunidade das empresas jornalisticas de oferecer conteúdo para vender e publicarem anúncios em celulares. Além disso, comentaram a forma como essa empresa se prepararia para o novo modelo de negócio, ou seja, quais seriam as maneiras de se entregar e se cobrar pelo conteúdo nessas novas mídias. "Não existe uma fórmula do modelo de negócio para ganhar dinheiro", diz Oliveira.
A nova cadeia de valor e os novos sistemas de informação para a cobrança seriam diferentes dos usados hoje. Esses sistemas de cobrança podem ser iguais aos utilizados pelas empresas de telecomunicações. Um outro ponto bastante discutido na palestra foi em relação ao risco de os jornais compartilharem dos sistemas das operadoras para bilhetar e faturar os serviços. A tecnologia wireless sinaliza uma grande oportunidade para se conseguir obter ganhos de produtividade, acesso àinformação e relacionamento com os clientes, parceiros e fornecedores.
Nenhum dos palestrantes acredita que o jornal deixará de existir, mas todos prevêem uma complementaridade do acesso à informação. "O celular não substituirá o jornal, mas o complementará", afirma Oliveira. O diretor executivo do Diário de S.Paulo, Ricardo Gandour, questiona se essa tecnologia seria uma oportunidade ou uma ameaça para os jornais. "Os jornais não devem disponibilizar conteúdo sem antes fazer uma análise", diz. A ameaça da tecnologia na mídia esbarra na possibilidade de as operadoras explorarem e desenvolverem seu próprio conteúdo ou, mesmo não o criando, não quiserem abrir mão de ficarem responsáveis pelo relacionamento com os clientes. Para Eduardo Prado, essa conversa é meio pueril.
Em relação à padronização dos dispositivos, existe uma preocupação dos fabricantes de celulares que atualmente utilizam mais os dois padrões mundiais: GSM/GPRS e CDMA/IXRTT, embora o primeiro tenha um uso maior. "As pessoas estão cada vez digitalizando informação. Quem ganha com o sistema de padronização é o usuário", afirma o gerente de Desenvolvimento de Soluções de Mercado da CPQD (SP), Raphael Balabanian Neto.
Fonte: Jornal ANJ
Outubro/2004