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Telefonia tende para cobrança única

 

Uma das maiores preocupações das operadoras de telefonia é a convergência das plataformas de billings (processo de coleta do tempo e tarifa de cada ligação), pela qual é possível abrigar no mesmo extrato as tarifas de operações distintas como telefonia fixa, móvel e Internet. A Brasil Telecom e a Telemar são as companhias mais adiantadas nesse processo. O mercado entende que as operadoras chegaram a um ponto sem retorno, em que terão de investir na evolução ou substituição de seus sistemas, sob pena de perderem a corrida para a conco...

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Uma das maiores preocupações das operadoras de telefonia é a convergência das plataformas de billings (processo de coleta do tempo e tarifa de cada ligação), pela qual é possível abrigar no mesmo extrato as tarifas de operações distintas como telefonia fixa, móvel e Internet. A Brasil Telecom e a Telemar são as companhias mais adiantadas nesse processo. O mercado entende que as operadoras chegaram a um ponto sem retorno, em que terão de investir na evolução ou substituição de seus sistemas, sob pena de perderem a corrida para a concorrência. Já para quem oferece essa tecnologia, como é o caso do CPqD (Centro de Pesquisa em Tecnologia), o mercado é promissor. O centro estima que, em cinco anos, 30% de seus negócios sejam na área de billing.

Como a base de assinantes fixos já parou de crescer e a de celular dá sinais de estar chegando a seu ápice, as operadoras estão voltando seus esforços para a fidelização e retenção dos clientes, em detrimento da corrida por novos assinantes. O billing único permite que elas ofereçam pacotes com desconto ou promoções casadas.

A Brasil Telecom iniciou a convergência quando a empresa entrou no mercado de telefonia celular, há um ano e meio, como forma de se diferenciar. “Não quisemos ser apenas mais uma operadora de celular para brigar com quatro grandes empresas, então essa convergência foi fundamental para nos diferenciarmos no mercado”, diz Dante Nardelli, diretor de tecnologia da informação (TI).

Nardelli explica que com a convergência foi possível oferecer vantagens para os clientes que optassem pelo plano de telefonia móvel da empresa. “A cada celular adquirido nós damos 50 pulsos extras na franquia da telefonia fixa, por exemplo”.

A Telemar, que comprou a solução do CPqD, unificou o billing de todos os serviços bilhetados, que são os de tráfego de voz. “Nosso faturamento tinha vários sistemas, um para cada tipo de chamada. Com o sistema único, o tempo de processamento passa a ser menor porque todos os dados vêm de uma única fonte e isso gera redução de custo”, afirma Marcos Calixto, diretor de TI da Telemar. “Por esse mesmo motivo, outro benefício é a dificuldade de acontecerem erros”, completa.

Quanto ao uso do sistema único para promoções e descontos, Calixto afirma que a empresa ainda não faz, mas que o sistema está preparado para tanto. “É uma tendência, todos devem fazer. Mas essa decisão é da área de marketing, quando eles acharem conveniente, estaremos preparados”, diz.

O CPqD já vendeu o sistema para duas empresas norte-americanas e está trabalhando em contratos na Bolívia e em Angola. As participações da solução nos negócios do centro ainda são pequenas, mas no curto prazo devem chegar a 20% e em 5 anos, 30%. “Há uma expectativa muito grande. Sofremos concorrência dos grandes desenvolvedores internacionais, mas a nossa solução é muito mais barata e mais adaptada ao mercado brasileiro, por isso, acreditamos que devemos fechar contratos com mais uma ou duas operadoras”, afirma Luis Antônio Cobos, gerente de billing do CPqD.

A movimentação desse mercado indica que as operadoras estão modernizando seus sistemas com poucas alterações nos contratos com os fornecedores. De acordo com Eduardo Amaral, responsável pelos negócios da Comverse na América Latina — que desenvolveu a solução para a Brasil Telecom —, não há espaço para outras empresas que não aquelas que já têm contrato com as operadoras. “A convergência é feita com a empresa que já forneceu a plataforma. Nos casos em que o contrato já prevê o upgrade do aplicativo, não ganhamos nada. Caso contrário há um aditivo“, diz.

Richard Dubois, consultor de Telecomunicações da Consultoria Trevisan explica que há um grupo de clientes que prefere a conveniência, a simplicidade e a comodidade de receberem todos os serviços em uma única fatura. “São aqueles clientes com maior poder aquisitivo que não se importam em pagar de uma única vez todos os serviços”, afirma. Além disso, segundo ele, as operadoras enxergam na fatura única a possibilidade de reduzir a inadimplência, já que o não pagamento implicaria no corte de todos os serviços.

Huber Bernal Filho, especialista em billing do portal Teleco, diz que “as operadoras que avançam firmes na convergência são a Telemar e a Brasil Telecom, as outras ainda caminham de forma mais lenta, mas com certeza estudam essa coligação para fidelizar os clientes”. Num prazo de cinco ou dez anos, ele diz que as redes serão convergentes, ou seja, qualquer tipo de informação poderá circular na mesma rede. Assim, conseqüentemente, o billing também será único.

Para Ascold Szymanskyj, diretor de marketing da Amdocs a tendência é que essas operações se consolidem. “A convergência dos serviços de telefonia fixa e móvel já começou há uns dois anos. Agora, a área que tende a crescer mais é a de serviços de dados”, afirma.

 

Fonte: DCI

02/02/2006





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