
Campinas tem vocação para a alta tecnologia
O anúncio de que um centro tecnológico militar será implantado em Campinas, resultado da transferência de toda área de pesquisa e conhecimento do Rio de Janeiro e Brasília para esta cidade, é notícia das mais auspiciosas. A escolha de Campinas para abrigar esse verdadeiro QG de tecnologia é resultado do que a cidade tem apresentado ao longo das últimas décadas, no campo da pesquisa e do desenvolvimento de ideias com aplicabilidade imediata.
Hoje, a cidade de Campinas é referência em diversas áreas de pesquisa, principalmente as de tecnologia fina, as voltadas para a área de informática, as realizadas pelo CPqD ou para sofisticações que ainda demorarão um bom tempo para ser absorvidas pelo público leigo, como o acelerador de partículas do Laboratório Nacional de Luz Síncrotron.
Mas muitas outras áreas, incluindo até o campo das ciências humanas, encontraram nos campi da cidade terreno fértil para desenvolvimento. Esse universo do conhecimento implica no emprego de cérebros e, conseqüentemente, na formação de mão-de-obra mais que especializada. Tudo isso atrai empresas que trabalham com tecnologias de última geração, que acabam atraindo outras empresas que trarão especialistas de outras áreas, formando, ao longo de algum tempo, um pólo de desenvolvimento sem semelhante no Brasil.
Nesse contexto, esforça-se a administração municipal para implantar seus parques tecnológicos que, ao lado de incentivos fiscais já aprovados e transformados em lei, poderão dar o impulso necessário para que a atração de empresas se concretize e Campinas passe, definitivamente, a ser o centro de alta tecnologia para o qual já demonstrou ter vocação de sobra. E é nesse cenário que, ao se mostrar hoje capacitado, aponta para um futuro que pode ser muito melhor, que a base tecnológica do Exército Brasileiro se prepara para se instalar. Pesquisar a geração de energia a partir do biodiesel ou pesquisar novas aplicações para as fibras de carbono estariam entre os trabalhos que o Exército pretende desenvolver na sua nova base tecnológica, cujos laboratórios devem ter a construção iniciada em seis meses.
Para quem estranhar o envolvimento de uma força armada em pesquisas desse teor é bom lembrar que o Exército chega a ter até uma tradição no campo, com o Centro de Desenvolvimento de Materiais, o setor de tecnologia da Indústria de Material Bélico e o Centro de Tecnologia de Brasília, órgãos que serão todos transferidos para Campinas. Além do mais, tem fama nacional e que chega até a ultrapassar nossas fronteiras, o Centro Tecnológico da Aeronáutica, localizado em São José dos Campos, responsável em parte pelo sucesso de uma empresa como a Embraer.
A chegada do QG tecnológico do Exército pode atrair ainda mais empresas que terão no Aeroporto Internacional de Viracopos a via natural para as importações e exportações necessárias. Também por esse motivo devem as autoridades envolvidas nos planos de expansão do aeroporto trabalhar com afinco para que esses projetos se viabilizem o mais rápido possível. A cidade e a região só terão a ganhar.
Fonte: Correio Popular
06/04/2006