
A oferta de serviços convergentes de telecomunicação, puxados pela chegada da terceira geração (3G) ao País e a provável entrada das operadoras de telefonia no segmento de tevê a cabo, está forçando as empresas desse segmento a investirem em modernização dos seus sistemas de cobrança, ou billing.
Isso porque um dos grandes atrativos que incentivam o uso de um mesmo fornecedor para os serviços de voz, dados e vídeo é justamente a possibilidade de lidar com apenas uma conta na hora de fazer o pagamento.
Fornecedores de tecnologia, de olho nesse mercado, estimam que a adequação para uma solução completa de billing pos...
A oferta de serviços convergentes de telecomunicação, puxados pela chegada da terceira geração (3G) ao País e a provável entrada das operadoras de telefonia no segmento de tevê a cabo, está forçando as empresas desse segmento a investirem em modernização dos seus sistemas de cobrança, ou billing. Isso porque um dos grandes atrativos que incentivam o uso de um mesmo fornecedor para os serviços de voz, dados e vídeo é justamente a possibilidade de lidar com apenas uma conta na hora de fazer o pagamento. Fornecedores de tecnologia, de olho nesse mercado, estimam que a adequação para uma solução completa de billing possa consumir até R$ 50 milhões, segundo Luiz Cobos, gerente de negócios do CPqD. Isso é mais do que o dobro dos R$ 23 milhões que a Brasil Telecom investiu em Tecnologia da Informação (TI) durante todo este ano. Ele explica que uma solução completa de cobrança representa parcela significativa dos investimentos das empresas de telecomunicação em tecnologia da informação. "
Já no caso das operadoras de telefonia fixa, o analista estima que os investimentos serão maiores e mais contundentes. "Algumas operadoras ainda trabalham com os sistemas legados, da época das privatizações", afirma o consultor. A maioria das concessionárias já oferece banda larga e voz e pretende entrar no mercado de tevê por assinatura em 2007.
Um sistema de cobrança que não funcione corretamente pode gerar graves problemas para as operadoras, que lideram o ranking de reclamações da Fundação de Proteção e Defesa do Consumidor (Procon) de São Paulo. A maioria das queixas se refere ao atraso na emissão de faturas, gerando cobranças retroativas com envio de faturas acumuladas.
No final de 2004, a Claro teve de atrasar o envio de contas para vários clientes, o que influenciou os resultados financeiros da empresa. Em nota, a operadora afirmou que, na época, "triplicou o número de profissionais dedicados a contas em seu serviço de atendimento ao consumidor e ampliou a autonomia dos atendentes, a fim de facilitar o atendimento e agilizar a solução de demandas relacionadas a contas".
Aquisições
A Oracle, uma das maiores fabricantes de software do mundo, decidiu investir na compra de uma provedora de soluções para o gerenciamento de billing, a Portal Software. O valor da transação foi de US$ 220 milhões.
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A Oracle já fornecia softwares de gestão e relacionamento com clientes para as empresas de telecomunicações; agora resolveu oferecer soluções mais específicas do negócio, como billing", afirma João Bosco, vice-presidente de vendas para aplicativos de negócios da companhia.Bosco acredita que a adoção aos serviços convergentes e de terceira geração por parte dos clientes deve acontecer rapidamente, gerando um aumento explosivo na demanda por soluções de gerenciamento de cobrança, principalmente por causa da interatividade. "A curva de tempo para adoção de novas tecnologias tem diminuído nos últimos anos. Acredito que deva demorar uns dois anos para esses novos serviços chegarem com força", afirma.
Luiz Cobos, gerente de negócios do CPqD, conta que as empresas de telecomunicações vão precisar de soluções de billing cada vez mais flexíveis. Por esse motivo, o executivo acredita que as empresas nacionais, que têm mais facilidade na adaptação de suas soluções, podem levar vantagem na concorrência com as estrangeiras. Segundo o executivo, as soluções de billing do CPqD já respondem por 30% dos negócios da companhia e a expectativa é de crescimento de 30% ao ano a partir de 2007.
Abertura
Para a Tele Design, a convergência tecnológica significa uma abertura de mercado. A empresa, fornecedora de soluções de rede para telecomunicações, sempre esteve focada no mercado de tevê por assinatura, mas agora pretende abocanhar o setor de telefonia. "Nossa solução foi criada para atender uma necessidade da Net [operadora de tevê a cabo], e agora estamos investindo para atingir outros segmentos", afirma Humberto Pinheiro, gerente de TI da empresa. A estimativa da Tele Design é crescer 50% em vendas da solução dentro de dois anos.
Gilberto Nunes, gerente comercial da Objetive Solutions, também espera uma abertura de mercado por conta da convergência. A estimativa é crescer 20% ao ano nos próximos dois anos.
Fonte: DCI
10 de agosto de 2006