
Empresas que foram criadas por ex-alunos despontam no cenário nacional
Um dia a cantina da faculdade de Física da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) já foi o "escritório" de um grupo de amigos, estudantes de Engenharia de Computação. Discutiam ali os planos para o futuro. A meta era: após a conclusão do curso, em 1994, eles iriam montar a própria empresa. Antes porém, deveriam adquirir dois anos de experiência no mercado. Dito e feito. Em 1997, teve início a Ícaro Technologies, empresa especializada em processos de negócios e em infra-estruturas de redes e sistemas. Esse é apenas um exemplo das...
Empresas que foram criadas por ex-alunos despontam no cenário nacional Um dia a cantina da faculdade de Física da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) já foi o "escritório" de um grupo de amigos, estudantes de Engenharia de Computação. Discutiam ali os planos para o futuro. A meta era: após a conclusão do curso, em 1994, eles iriam montar a própria empresa. Antes porém, deveriam adquirir dois anos de experiência no mercado. Dito e feito. Em 1997, teve início a Ícaro Technologies, empresa especializada em processos de negócios e em infra-estruturas de redes e sistemas. Esse é apenas um exemplo das mais de 90 empresas que nasceram a partir das salas de aula da Unicamp, referência em pesquisa no País. De acordo com a própria Unicamp, as suas "filhas", formadas por ex-alunos e ex-professores da instituição, respondem, juntas, por um faturamento anual em de cerca de R$ 1 bilhão. "Esse é um dos benefícios que a universidade traz para a sociedade: geração de emprego e renda", disse Roberto Lotufo, diretor-executivo da Agência de Inovação da Unicamp (Inova). "Sem uma formação que nos desse um bom embasamento, não seria possível montar a empresa. A proximidade da Unicamp com pesquisa e tecnologia de ponta também foi fundamental", contou Kleber Stroech, diretor-executivo da Ícaro, empresa que fatura entre R$ 4 milhões e R$ 6 milhões por ano. "Atualmente temos cerca de 50 funcionários e atendemos vários países, como Estados Unidos, México, Argentina, Venezuela e Chile", completou Stroech. Aos 35 anos, o engenheiro de computação César Gon, graduado e pós-graduado na Unicamp, é diretor-presidente da CI&T, empresa especializada no desenvolvimento de softwares aplicados em tecnologias web. Ao lado de dois colegas, também ex-alunos da Unicamp, comanda uma equipe de 305 profissionais (dos quais cerca da metade tem alguma passagem pela Unicamp), que atuam em sete unidades da empresa, incluindo uma na Filadélfia (EUA) e outra em outra em Londres (Inglaterra). "A empresa é resultado de uma bagagem de conhecimento adquirido na Unicamp", disse. "Contamos com a ajuda de alguns professores numa época pré-Inova (Agência de Inovação da Unicamp) e pré-incubadora. Ali já existia uma semente do espírito empreendedor da universidade", afirma Gon, que na época da implantação da empresa tinha 23 anos. O professor de Física aposentado da Unicamp José Ellis Ripper Filho está hoje no comando da AsGa Microeletrônica. A semente da empresa nasceu na década de 70, quando Ripper Filho coordenou o Programa de Comunicações Ópticas, uma parceria entre a Unicamp e o governo federal, que permitiria o desenvolvimento da primeira fibra óptica nacional e, mais tarde, daria origem ao Centro de Pesquisa e Desenvolvimento em Telecomunicações (CPqD). Em 1989, a AsGa foi fundada. "Todas as operadores de telecomunicações são nossas clientes", disse o professor aposentado. Fabrício Bloisi saiu de Salvador (BA) em 1994 para estudar Ciências da Computação na Unicamp. Atualmente está no controle da Compera, empresa com cerca de 50 funcionários (mais da metade deles também com passagem pela Universidade Estadual de Campinas) e uma das líderes no segmento de internet móvel no Brasil. "Nosso objetivo é chegar a 5 mil funcionários", diz Bloisi. "A Unicamp foi nossa fonte de oportunidades e formação essencial para que a empresa existisse. Sempre encontramos apoio para experimentar novos horizontes, inclusive o da inovação e empreendedorismo, desde os anos de formação. Agora, estamos organizando um relacionamento maior com a universidade para colaborar na formação das pessoas", afirmou Dario Sassi Thober, ex-aluno de Física da Unicamp e atual diretor do Centro de Pesquisas Avançadas Wernher von Braun. Thober começou a empresa sozinho, em 1997, numa pequena sala. Agora, comanda uma equipe de 60 pessoas. Até mesmo o físico César Lattes, morto em março do ano passado, fez parte do quadro de funcionários. Fonte: Correio Popular 05 de outubro de 2006