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Fundações surgem como opção de carreira em TI

Quando se fala em pesquisa e desenvolvimento, algumas imagens são rapidamente associadas ao termo: de um lado, acadêmicos imersos em suas teses e pesquisas, mas distantes das necessidades do mundo real e, de outro, centros de pesquisa mantidos por grandes empresas para o desenvolvimento de produtos, geralmente fora do País e inacessíveis a boa parte dos profissionais locais. No entanto, a atuação de fundações como o CPqD e a Atech vem mostrando haver uma terceira alternativa para estes profissionais no País, e uma alternativa rentável.

As duas entidades são exemplos acabados de instituições que, nascidas em projetos do governo e ...

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Quando se fala em pesquisa e desenvolvimento, algumas imagens são rapidamente associadas ao termo: de um lado, acadêmicos imersos em suas teses e pesquisas, mas distantes das necessidades do mundo real e, de outro, centros de pesquisa mantidos por grandes empresas para o desenvolvimento de produtos, geralmente fora do País e inacessíveis a boa parte dos profissionais locais. No entanto, a atuação de fundações como o CPqD e a Atech vem mostrando haver uma terceira alternativa para estes profissionais no País, e uma alternativa rentável.

As duas entidades são exemplos acabados de instituições que, nascidas em projetos do governo e em projetos específicos de pesquisa, souberam usar o conhecimento desenvolvido ali para ir ao mercado privado e conquistar seu espaço. O CPqD, por exemplo, nasceu dentro do sistema Telebrás como desenvolvedor de soluções para a telefonia nacional. Hoje, a fundação tem registradas 97 patentes e 225 softwares e registrou um crescimento de 58% em 2006.

Caminho parecido trilhou a Atech, criada para integrar e viabilizar o Sivam (Sistema de Vigilância da Amazônia) e que hoje desenvolve sistemas meteorológicos, sistema de gerenciamento logístico, aplicativos de controle de tráfego aéreo, sistemas de gestão de saúde, de integração de transportes públicos e ferramentas de Business Intelligence. Embora ainda tenha no governo boa parte de seus clientes, a fundação começa a levar suas soluções ao mercado privado.

Além da história, as duas instituições têm em comum o cuidado com a contratação de seus funcionários, geralmente com forte ênfase em habilidades técnicas e acadêmicas. “Mais que a formação superior, é imprescindível que os candidatos sejam oriundos de universidades de primeira linha”, afirma Gino Luiz Rossi, gerente de recursos humanos do CPqD.

Boa parte do diferencial destas fundações em relação aos seus similares do mercado privado – se é que existem – está justamente no perfil de seus profissionais, muito mais técnico do que de marketing. No caso da Atech, 85% dos profissionais da instituição têm curso superior, boa parte deles com ênfase em Exatas (ciência da computação e engenharia). “Em razão da complexidade dos projetos que desenvolvemos, temos outros perfis, como meteorologistas, geógrafos, matemáticos e economistas”, explica Cynthia Mastropascha, diretora de RHE (Recursos Humanos Estratégicos) da Atech.

Formação diferenciada
De todo modo, os responsáveis pelas áreas de RH das duas instituições deixam claro que a formação dos profissionais que eles procuram foge um pouco do usual em outras empresas de TI. Para Rossi, do CPqD, o profissional procurado por ele “deve ter forte formação acadêmica e possibilidade de atuar em diversas áreas de conhecimento”.

Também na Atech, os novos profissionais devem ser fortes em desenvolvimento. “O perfil de pesquisa é interessante para nossa área de inovação e o de negócios se encaixa nas áreas de gestão de contratos e comercial. Mas a ênfase maior é sempre desenvolvimento”, afirma Cynthia.

Tanto assim, que os candidatos a vagas na Atech passam por provas técnicas, além de avaliação de itens pessoais como iniciativa, atitude, boa comunicação e bom relacionamento. “A prova é essencial, pois o nível de capacitação encontrado hoje no mercado é deficitário”, explica Cynthia. Caminho parecido seguem os candidatos a vagas no CPqD, que passam por três fases: avaliação de competências, avaliação psicológica e entrevista técnica.

Em ambos os casos – e apesar de sua herança estatal – as duas fundações criaram planos de carreira que se assemelham aos adotados por empresas com fins lucrativos, com o diferencial de darem destaque – e possibilidade de crescimento – para funções técnicas. “Nosso plano é baseado em competências, privilegiando também as carreiras técnicas. Com isso, todos têm a possibilidade de chegar ao topo de pirâmide”, ressalta Rossi.

“Mesmo sendo uma fundação, o plano de carreira da Atech é muito parecido com o de uma empresa privada. O que temos de diferente são as oportunidades de crescimento em função de nossa cultura organizacional”, diz Cynthia.

As oportunidades existem e as fundações mostram fôlego para continuar ganhando espaço no mercado privado e/ou com fins lucrativos. O salário? Nenhuma das áreas de RH revela e aqui vai mais um ponto comum entre elas: para ambas, o salário é informação estratégica, mantida em sigilo por causa da competitividade com que o mercado trata estes profissionais.

Fonte: Convergência Digital
Data: 19/04/07



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