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Projeto GIGA licencia tecnologias para equipamentos de Internetavançada a seis empresas; rede experimental liga 65 laboratórios

O Projeto GIGA, de pesquisa e desenvolvimento em convergência tecnológica de redes IP (Internet Protocol) e redes ópticas de alta velocidade, financiado pelo governo federal, saiu do âmbito das universidades e institutos de pesquisa e gerou tecnologias que agora devem ser incorporadas pelo setor produtivo. O projeto interliga 20 institutos de pesquisa e universidades em rede de fibra óptica e se volta ao desenvolvimento de tecnologias para a Internet 2, na qual o volume e a velocidade de tráfego de dados serão muito maiores do que os a...

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O Projeto GIGA, de pesquisa e desenvolvimento em convergência tecnológica de redes IP (Internet Protocol) e redes ópticas de alta velocidade, financiado pelo governo federal, saiu do âmbito das universidades e institutos de pesquisa e gerou tecnologias que agora devem ser incorporadas pelo setor produtivo. O projeto interliga 20 institutos de pesquisa e universidades em rede de fibra óptica e se volta ao desenvolvimento de tecnologias para a Internet 2, na qual o volume e a velocidade de tráfego de dados serão muito maiores do que os atuais. As tecnologias, licenciadas para seis empresas brasileiras, referem-se à produção de seis equipamentos desenvolvidos pela rede de pesquisadores do Giga. Dia 4 de abril, em Brasília, os ministros das Comunicações, Hélio Costa, da Ciência e Tecnologia, Sergio Rezende, o presidente do CPqD, Hélio Graciosa, e diretores das empresas que irão produzir os equipamentos — Padtec, Asga, Digitel, Optolink, Plêiades e Lithustech — anunciaram o licenciamento das tecnologias desenvolvidas. O Projeto Giga é coordenado pelo CPqD e pela Rede Nacional de Ensino e Pesquisa (RNP).

A rede experimental do Projeto GIGA permite velocidades até 400 vezes maiores que as médias oferecidas pelas linhas ADSL das operadoras — ADSL são linhas que possibilitam navegar e falar ao telefone ao mesmo tempo. As pesquisas relacionadas às tecnologias licenciadas agora em abril giram em torno de duas redes, a IP e a WDM. A rede IP se refere ao protocolo de comunicações responsável pela identificação das máquinas e redes e o encaminhamento correto das mensagens e dados entre elas. A rede WDM, ou Multiplexação por Divisão de Comprimentos de Onda, é um conjunto de equipamentos e meios físicos que têm a capacidade de otimizar o uso das redes de fibra óptica. Ou seja, fornecer uma infra-estrutura de meios ópticos que permita a inserção de mais de um sistema de telecomunicações e a transmissão de dados e/ou voz em uma única fibra óptica. Atualmente a rede WDM é utilizada em empresas que prestam serviços de telecomunicações públicos e privados em todo o mundo, dada sua alta capacidade de transmissão. Para as pesquisas do GIGA, foi montada uma rede com fibras ópticas cedidas pelas operadoras Intelig, Telemar, Telefônica, Embratel e Pegasus. A rede experimental do projeto conecta 20 instituições, 65 laboratórios e abrange uma distância de 750 quilômetros.

As tecnologias licenciadas e a divisão de royalties

Segundo Rege Scarabucci, diretor do Projeto GIGA, os seis equipamentos que tiveram a tecnologia licenciada para as empresas abrangem produtos de uso direto para transmissão de dados e para proteção e medição da rede. "As transferências de tecnologias foram realizadas para dois tipos distintos de empresas: empresas fabricantes de sistemas de telecomunicações (Padtec, AsGa e Digitel) e empresas fabricantes de componentes ou subsistemas ópticos (Plêiades, Optolink e Lithustech)", explica. Para as primeiras empresas foram transferidas as seguintes tecnologias: Sistema DWDM, Sistema CWDM, Cross-Connect Óptico, Amplificador Óptico com AGC Híbrido e Analisador de Diagrama de Olho para medidas de desempenho. Para os dois tipos de empresas foi transferido o Equalizador Dinâmico de Potência Óptica.

O Sistema DWDM para 16 canais tem capacidade de dez gigabytes por segundo de transmissão de dados em cada canal óptico. Pode abrigar dois milhões de canais de voz ao mesmo tempo. É usado em canais de vídeo e transmissão de conteúdo multimídia em alta velocidade, por exemplo, aplicações típicas da Internet 2, rede mundial de alto desempenho que está sendo montada para superar as deficiências da Internet atual. "É o primeiro desse tipo a ser desenvolvido no Brasil", acrescenta Scarabucci. O Sistema CWDM tem 16 canais com capacidade de 2.5 gigabytes por segundo. "Não existe ainda no País e é um sistema importante para transmissão de dados de empresas, shoppings etc, dada a distribuição de altíssima velocidade", afirma.

Já o Cross-Connect Óptico é um sistema que protege a rede. Por exemplo, se há problema em um canal de transmissão de dados, o sistema transfere essa transmissão para outro canal. "Se aumentamos a velocidade, precisamos proteger mais também, para o usuário não perder muitos dados no caso de uma interrupção da transmissão", acrescenta. O Amplificador Óptico com Controle AGC Híbrido é um controle eletrônico óptico. Quando a potência cai, é possível amplificar todos os sinais ao mesmo tempo, permitindo que a rede de fibra óptica chegue a lugares mais distantes com qualidade na transmissão. O CPqD pediu patente para essa tecnologia.

O Analisador de Diagrama de Olho mede o desempenho dos canais ópticos para ver se não há erros na rede. O Equalizador Dinâmico de Potência Óptica equaliza as potências. Em uma fibra, há vários canais com amplitudes diferentes; o equipamento faz com que sinais de potências diferentes saiam com potências iguais, estabilizando a rede. Também foi feito pedido de patente para esse equipamento, desenvolvido pela Universidade Tecnológica Federal do Paraná (ex-CEFET-PR) com supervisão do CPqD.

De acordo com Scarabucci, as empresas ainda precisarão comprometer capital de giro para investir no desenvolvimento das tecnologias licenciadas. "Há possibilidade de as empresas quererem alterar a parte física dos equipamentos, por exemplo, desenvolvendo seus próprios desenhos. Mas eu, particularmente, defendo a idéia de que as empresas lancem o produto como está e façam suas modificações à medida que ele conquistar mercado", diz. Em caso de necessidade de certificação e homologação para cumprimento de normas técnicas, o CPqD poderá ajudar as empresas, já que é um laboratório credenciado pelo Instituto Nacional de Metrologia, Normalização e Qualidade Industrial (Inmetro) para esses objetivos.

Para selecionar as empresas aptas a licenciar as tecnologias do GIGA, o CPqD consultou uma associação que representa empresas de alta tecnologia e, com uma lista de companhias em mãos, enviou cartas a várias delas para saber do interesse pelas tecnologias. As que responderam afirmativamente preencheram um questionário sobre sua saúde econômica e capacitação técnica. Como condição, a empresa tinha de ser de capital brasileiro. A cada questão foi atribuída uma quantidade de pontos e a soma indicou quais seriam as empresas escolhidas. O processo de seleção foi acompanhado pela Financiadora de Estudos e Projetos (Finep), agência de fomento do Ministério da Ciência e Tecnologia (MCT), que financiou os projetos do GIGA.

Cada empresa pagará royalties de 5% ao CPqD durante os primeiros cinco anos de fabricação. "Não existe nenhum pagamento adicional; só existe royalty se houver faturamento da empresa de cada produto transferido", diz Scarabucci. Segundo ele, apenas no caso do Equalizador Dinâmico de Potência Óptica o CPqD dividirá o royalty com a Universidade Tecnológica Federal do Paraná. O CPqD não sabe quanto conseguirá com os royalties. "Não sabemos qual será o sucesso que os produtos alcançarão no mercado", justifica. "Como o CPqD é uma entidade sem fins lucrativos, tudo o que recebermos será reinvestido, para mantermos nossa capacidade em P&D."

Falam as empresas

As empresas ouvidas por Inovação estão avaliando o potencial de mercado das tecnologias licenciadas pelo CPqD. A Padtec, situada em Campinas (SP), é uma spin-off do CPqD, que detém 78% das ações da empresa. A companhia realiza suas atividades de P&D em conjunto com o centro de pesquisa. Produz equipamentos e sistemas de comunicação óptica, destacando-se no uso da tecnologia WDM, e vende para 28 países em todos os continentes. Segundo André Guimarães dos Santos, mestre e doutor em física e responsável pela área de marketing da empresa, a transferência das tecnologias do Projeto GIGA pode ser utilizada para o desenvolvimento e comercialização de novos produtos por qualquer uma das seis empresas escolhidas. "Por enquanto, a Padtec ainda está analisando quais tecnologias deve incluir em seus produtos. Isso vai depender de estudo de mercado, viabilidade financeira e técnica", revela.

Na mesma situação está a Optolink, empresa de Campinas que desenvolve produtos, serviços e soluções em componentes e submódulos para comunicações ópticas. Ela vai trabalhar com o Equalizador Dinâmico de Potência Óptica. Os sistemas WDM são compostos de múltiplos canais que precisam operar na mesma intensidade, e para fazer isso é empregada essa tecnologia. O WDM tem alta capacidade de transmissão de dados e pode ser usado em sistemas de comunicação de longa distância, como entre cidades, bancos, empresas etc. "Nosso próximo passo será pegar esse protótipo desenvolvido no Projeto GIGA e transformá-lo em produto. Essa fase de desenvolvimento vai requerer investimento e ainda temos de cuidar da parte de marketing, divulgação e certificação", diz Ildefonso Felix de Faria Júnior, presidente da empresa. Como a empresa ainda está fazendo os estudos de mercado, não tem definido quanto precisará investir para concluir o desenvolvimento da tecnologia.

Uma das idéias da empresa é apresentar um projeto para a Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp), no âmbito do Programa de Inovação Tecnológica em Pequenas Empresas (PIPE) Fase 3. O PIPE apóia o desenvolvimento de pesquisas inovadoras a ser executadas em pequenas empresas. A Fase 1 financia a realização de pesquisas sobre a viabilidade das idéias propostas e a Fase 2, o desenvolvimento da parte principal da pesquisa dos projetos que mostraram maior potencial na Fase 1. A Fase 3 do programa se destina ao desenvolvimento de novos produtos comerciais, baseados nos resultados das Fases 1 e 2. A Fapesp obteve aprovação de um projeto no edital da Finep para o Pappe Subvenção e deverá destinar os R$ 45 milhões obtidos às empresas da Fase 3 do PIPE, segundo o diretor científico da fundação, Carlos Henrique de Brito Cruz. O Pappe Subvenção é um programa do governo federal que se inspirou no PIPE e que vai alocar dinheiro não-reembolsável nas pequenas empresas para atividades de P&D. O edital da Finep selecionou entidades estaduais para operar de forma conjunta o dinheiro da subvenção, mecanismo criado na Lei de Inovação.

Projeto foi prejudicado por contingenciamento de verba

O Projeto GIGA deveria durar três anos e terminar no final de 2005, mas sofreu atrasos por conta do contingenciamento de recursos vindos da Finep, obtidos no Fundo para Desenvolvimento Tecnológico das Telecomunicações (Funtell). Apesar de controlado pelo Ministério das Comunicações, parte do Funtell pode ser investida pela Finep para financiar atividades de P&D em telecomunicações. A verba total para o GIGA, de R$ 55 milhões, deve ser completamente repassada até o final deste ano, quando termina o projeto. Durante dois anos, houve falta de dinheiro. Com isso, parte dos projetos está sendo concluída apenas agora, em 2007. E outros projetos foram cancelados por falta de verba. Dos R$ 55 milhões, R$ 10 milhões vieram da RNP, outra gestora do Projeto Giga. Dos R$ 45 milhões restantes, aplicados pelo CPqD, R$ 20 milhões foram investidos na montagem da rede de fibra óptica e R$ 25 milhões se destinaram às atividades de P&D desenvolvidas nos institutos e universidades.

O CPqD negocia a continuidade do GIGA com o governo federal. Se isso ocorrer, a segunda fase do programa deverá ter maior participação do setor privado. "Na primeira fase, do desenvolvimento inicial das tecnologias, as empresas praticamente não tiveram participação nas atividades de P&D. Esperamos ter um relacionamento mais forte para os desenvolvimentos futuros, o que não foi possível nesta fase inicial por conta da falta de recursos", justifica. Uma próxima rodada do Giga também deve englobar estudos de mercado para seleção do que será pesquisado e desenvolvido. "Vamos levantar junto às empresas fabricantes e operadoras quais são os produtos mais importantes dentro da demanda do mercado, e compor uma lista de tecnologias que devem ser estudadas e desenvolvidas daqui para frente", finaliza.

Fonte: Inovação Unicamp
Data: 23/04/07



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