
A Anatel está bastante otimista com os resultados obtidos na primeira fase dos testes que definirão quais tecnologias poderão ser adotadas pelo Serviço de Comunicações Digitais (SCD). Nas últimas semanas, a agência vem testando o uso do padrão CDMA na faixa de 450 MHz para oferecer serviços de voz fixa e móvel, além de acesso à web em banda larga nos municípios da periferia de Brasília.
Coordenado pela Lucent e com parcerias do CDI, CPqD, além de empresas como Qu...
A Anatel está bastante otimista com os resultados obtidos na primeira fase dos testes que definirão quais tecnologias poderão ser adotadas pelo Serviço de Comunicações Digitais (SCD). Nas últimas semanas, a agência vem testando o uso do padrão CDMA na faixa de 450 MHz para oferecer serviços de voz fixa e móvel, além de acesso à web em banda larga nos municípios da periferia de Brasília.
Coordenado pela Lucent e com parcerias do CDI, CPqD, além de empresas como Qualcomm, Intelbrás, CPM, Procomp e Samurai, entre outras, o teste com CDMA 450 foi realizado em um ônibus itinerante, que percorria as comunidades fora da área urbana de Brasília. Nas últimas semanas, o experimento ficou no Centro de Ensino Lago Oeste, uma escola rural que oferece ensino fundamental e médio para 1.200 alunos que nunca tiveram contato com computador ou internet. Lá, os alunos acessaram portais com conteúdo educacional, além de conhecer os recursos dos sistemas Windows e Linux.
A escola rural do Lago Oeste está localizada a 45 Km da estação radiobase (ERB) instalada pela Lucent em Santa Maria, do outro lado de Brasília. O link compartilhado por nove terminais conseguiu oferecer acesso à web com taxas de 144 kbps até 824 kbps, o que é considerado um recorde para a tecnologia CDMA 450 MHz. "Conseguimos essas velocidades com a ERB a 45 Km de distância da escola e com a central de comutação, roteador e data center instalados em São Paulo. Por isso, para atender a demanda do SCD em escala nacional precisaremos, no máximo, de um centro de redes por macro região, o que reduz incrivelmente o custo de instalação de uma rede dessas", garante Luiz Cláudio Rosa, vice-presidente de desenvolvimento de negócios da Lucent.
Apesar do teste ter sido bem-sucedido, nada ainda foi definido pela Anatel. A segunda fase dos testes, que usará links de satélite para oferecer acesso em banda larga, deve começar no fim de junho e seguir até meados de agosto. Outras tecnologias que também devem ser testadas pela agência é a Power Line Communications (PLC), a oferta de internet via rede elétrica e o Wi-Fi. "Não estamos falando de mercado ou competição. O foco do serviço é a universalização, por isso ele não será baseado em uma tecnologia única, mas em recursos complementares. Vamos adotar a melhor solução indicada para atender de forma eficiente e barata as necessidades de cada região", afirma Edmundo Matarazzo, superintendente da agência.
Enquanto a agência não define todos os detalhes dos novos serviços, as comunidades escolhidas para os testes conseguem desfrutar, ainda que de forma incipiente, alguns dos recursos disponíveis atualmente para os usuários dos grandes centros. "Essa experiência prova, na prática, que a tecnologia é só um meio, pois o usuário está interessado no serviço, não importando se o mesmo chega até ele via cabo, fibra, CDMA ou satélite. Além disso, serviu para nos relembrar que a Anatel faz regulamentações para as empresas do setor, mas o impacto final de nossas decisões é sentido diretamente pelos cidadãos" conta Matarazzo.
Mesmo com tantas variáveis ainda em aberto, a maior dúvida dos novos usuários não é saber qual padrão será escolhido pela Anatel, mas descobrir se os computadores que deixarão a escola em breve, voltarão algum dia, de forma definitiva, oferecendo serviços reais.
Fonte: World Telecom - Ana Paula Oliveira
10/6/2004