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:: Conexão por banda larga é infraestrutura do século 21

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Segunda, 17 de Maio de 2010 14:03

Plano nacional para ampliar o alcance da internet de alta velocidade começa a ganhar forma e gera debate

O Plano Nacional de Banda Larga começa a ganhar forma, embora ainda tímida, e já vem provocando polêmica desde antes da divulgação de detalhes. Um dos principais temores refere-se à reativação da estatal Telebras para gerir parte da distribuição do serviço no Brasil. Operadoras preocupam-se com o alcance dessa interferência. Mas é fato que o Brasil ainda patina feio no fornecimento de conexão em alta velocidade, considerada a infraestrutura do século 21. O plano busca nivelar um enorme buraco, cavado por preços entre os mais altos do mundo e população desconectada.

Mas, como reconhece o presidente do Centro de Pesquisa e Desenvolvimento em Telecomunicações (CPqD), Hélio Graciosa, em entrevista ao Correio Digital, o acesso à internet de alta velocidade não elimina problemas mais elementares, como analfabetismo e analfabetismo funcional. Graciosa avalia que o plano de ampliar o acesso à rede de banda larga é positivo, porque vai determinar os rumos do desenvolvimento do País. Mas comenta que a velocidade proposta, de 512kbps, que em muitos países sequer é considerada banda larga, ainda deixa a desejar. Na entrevista, Graciosa fala sobre expectativas e alcance do novo plano.

Correio Digital - Como o senhor avalia o Plano Nacional de Banda Larga?

Hélio Graciosa - O anúncio feito pelo governo com relação ao Plano Nacional de Banda Larga nos parece muito adequado. Há dois movimentos fortes, um é no sentido de viabilizar a disponibilização de internet banda larga para a maioria da população brasileira. Na nossa opinião, isso é extremamente relevante, pois quem não tiver acesso à banda larga daqui a vinte anos vai estar fora da sociedade. O segundo ponto é que a banda larga passa a ser um projeto estruturante no Brasil e esse projeto, conforme anunciado pelo governo, deverá ser construído baseado em tecnologia nacional, uma ocasião para desenvolver a tecnologia no País.

Quais os benefícios e os equívocos ou falhas do plano, na sua opinião?

Ainda não conhecemos os detalhes, então ainda não somos capazes de comentar a operacionalização e obstáculos.

Operadoras reclamam que a Telebras pode interferir na livre concorrência e em licitações para prestação de serviços a órgão públicos. A reativação da Telebras pode ser considerada uma estatização da internet no Brasil?

Depende da maneira como será feita, pode ou não interferir na livre concorrência. Não sabemos ainda, precisamos ver como o governo pretende operacionalizar. Agora, de nenhuma forma pode ser considerada como uma estatização da internet do Brasil. O Brasil é grande, a populaçao é grande, já existem várias empresas oferecendo banda larga, não há a menor condição de estatizar o acesso à internet no Brasil e nem re-estatizar a telefonia.

O programa Banda Larga Popular tem como velocidade 250kbps, o que nem é considerado banda larga em muitos países, que começam a chamar alta velocidade a partir de 1mbps. Na sua opinião, por que o programa não puxou a velocidade para cima?

A banda larga que está se querendo colocar é de no mínimo 512kbps. Não é o ideal, mas nós estamos num País que tem uma geografia, uma população, uma distribuição de renda muito difíceis de serem atendidas com alta velocidade em todo o território. Não é o ideal 512kbps, mas é uma maneira de lançar o plano e ter objetivos factíveis num prazo relativamente curto.

A banda larga pode chegar por telefonia, radiofrequência, fibra ótica e pela rede elétrica. Qual o meio de transmissão mais e menos vantajoso no Brasil hoje? Por que?

Não há uma fórmula para todas as situações. Dependendo da situação, é mais barato colocar fibra ótica, mais barato mandar via rádio ou pela rede elétrica. Então, não há uma fórmula que valha para todos os acessos à internet. No caso do Brasil, a utilização da fibra ótica, não necessariamente para fazer o acesso final, mas para fazer a transmissão ao longo do País, é essencial, porque só a fibra ótica permite a transmissão de milhões de sinais de banda larga. É o meio mais barato quando se quer transmitir uma quantidade imensa de informações. Num país com a dimensão do Brasil, a vantagem da fibra ótica em termos de custos, para transmitir quantidades imensas de informações, é muito clara.

Em países da Europa, as informações do cidadão estão todas disponíveis na rede. Desde os impostos, seguros, escola onde estuda, passagem por médicos e remédios que lhe foram receitados. Quais as restrições para estabelecer um sistema como esse no Brasil?

Não há o menor empecilho em termos de Brasil. Hoje já há várias informações do cidadão na rede. Nosso sistema de imposto de renda e o de votação eletrônica são dos mais avançados do mundo. O Brasil é um dos países mais adiantados no sistema de serviços bancários pela internet. Então, não há restrição nenhuma. É apenas uma questão de que não dá para atender todos os cidadãos brasileiros de uma hora para outra. Isso vai chegando aos poucos com o acesso à banda larga.

Qual a dificuldade de levar banda larga para regiões de alto analfabetismo e analfabetismo funcional? Vai funcionar? O que deveria ser feito?

A questão do analfabetismo funcional não é uma questão de banda larga nem de inclusão digital. É um problema mais básico do que isso. Então, é necessário desenvolver sistemas que facilitem o acesso do analfabeto funcional à internet. O CPqD tem programas nesse sentido. Mas não é a banda larga que vai resolver o problema do analfabetismo no Brasil.

Levando em conta todos os problemas do Brasil, qual o efetivo alcance do Plano Nacional de Banda Larga?

A sociedade brasileira tem discutido muito essa questão. A banda larga é tida no mundo todo como a infraestrutura do século 21. A ferrovia foi a infraestrutura do século 19, a energia elétrica e a rodovia foram a do século 20. E a banda larga é a infraestrutura do século 21. A sociedade brasileira tem discutido muito isso e o governo, a partir dessas discussões, fez o lançamento dessas medidas no sentido de difundir a banda larga a preços razoáveis. Como eu falei no início, o movimento é positivo, precisamos ver agora como vão ser os detalhes dessa operacionalização. A banda larga é um assunto de infraestrutura e todos deveriam ter direito a ela.

Silvana Guaiume

Fonte: Correio Popular



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