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Tecnologia avança na rede elétrica
A tecnologia avança sobre a rede elétrica para transformar a distribuição de energia em um modelo mais eficiente. O smart grid, rede inteligente, propõe novos parâmetros para controlar o sistema elétrico e aproximar o consumidor do fornecedor. Uma comparação comum entre os especialistas é que se Graham Bell, o inventor do telefone, voltasse à vida hoje, pouco entenderia do produto que criou, ante os avanços do equipamento. Por outro lado, o mesmo não ocorreria se Thomas Edison, o inventor da lâmpada elétrica, conhecesse o Brasil nos dias atuais.
"O setor de energia elétrica evoluiu muito pouco nas últimas décadas, mas acreditamos que a chegada do smart grid mude completamente esse cenário", defende o diretor de mercado corporativo do Centro de Pesquisas e Desenvolvimento em Telecomunicações (CPqD) de Campinas, José Eduardo Azarite. "Daqui a dez anos, estaremos no mesmo patamar da telefonia", acrescenta.
A expectativa é de que, em dez anos, toda a rede elétrica brasileira seja monitorada por chips, distribuídos em pontos estratégicos, que informarão detalhes da distribuição a uma central eletrônica. Os consumidores terão medidores eletrônicos instalados em suas casas ou empresas, que "conversarão" com a central distribuidora. A estimativa é de que, com a smart grid, a eficiência no fornecimento de energia fique próxima a 100%, afastando riscos de oscilações e apagões.
Segundo Azarite, depois de implementado o monitoramento eletrônico, o consumidor poderá contar com um pacote de serviços tão amplo quanto o da telefonia. Nos Estados Unidos, referência mundial de smart grid, já se debate a possibilidade de vender energia elétrica no sistema pré-pago. O consumidor define o valor a ser consumido e, quando atingido, o serviço é cortado.
Vantagens
Entre outras vantagens para o consumidor estão a medição de 15 em 15 minutos, a conta detalhada por consumo de cada eletrodoméstico e a decisão sobre a origem da energia a ser consumida. Outra possibilidade em discussão é a comunicação por banda larga através da rede elétrica.
A smart grid cria um sistema inteligente de distribuição de dados que poderá antecipar possíveis panes, evitando interrupção no fornecimento, mesmo em dias de chuva. "Estamos falando de algo que irá revolucionar o setor, mas que, claro, precisa de tempo. Além da tecnologia, depende de mão de obra especializada", diz o presidente da Associação de Empresas Proprietárias de Infraestrutura de Infraestrutura e de Sistemas Privados de Telecomunicações (Aptel), Pedro Jatobá.
Algumas empresas iniciarão testes com a tecnologia no País a partir de 2012. "O Brasil deu um passo importante nesse sentido no mês passado, quando o Ministério de Minas e Energia (MME) criou uma comissão de estudo para analisar políticas públicas para a implantação do programa de smart grid. São as regulamentações que irão definir como o sistema irá operar no País", comenta.
O impacto da tecnologia sobre a tarifa, lembra Jatobá, preocupa o setor. "Mesmo sabendo que, em médio prazo, teremos retorno do investimento, não podemos permitir que haja um impacto grande na tarifa. O medidor eletrônico, vital para a implantação do smart grid, custa hoje oito vezes mais caro que o tradicional", destaca.
Saiba Mais
O conceito de smart grid é um dos temas mais discutidos no mundo. Nos Estados Unidos, o presidente Barack Obama anunciou investimentos de US$ 4,5 bilhões (R$ 8,2 bilhões) para projetos no setor. A meta é um melhor gerenciamento da hoje estrangulada infraestrutura de transmissão norte-americana. Países como Austrália e Portugal debatem fornecer energia no sistema pré-pago, para que os consumidores gastem com eletricidade apenas o que quiserem gastar.
Qualidade no fornecimento é fundamental
No início do mês, foi realizada em Campinas a 2ª edição do Seminário Internacional de Smart Grid, no Centro de Pesquisas e Desenvolvimento em Telecomunicações (CPqD), em Campinas. Mais de 40 empresas participaram do evento. "Quanto mais se falar sobre o assunto, melhor serão os resultados", defende o presidente da Aptel, Pedro Jatobá. "O foco de discussão mudou nos últimos três anos. Antes, falávamos em obstáculos, hoje em possibilidades", diz o consultor da IBM, Dário Almeida. Para Almeida, também é preciso limitar, nesse início de trabalho, o leque de serviços. "Mesmo sabendo de todas as possibilidades que o sistema poderá oferecer, o que o consumidor brasileiro mais quer é qualidade no fornecimento. Os apagões, as quedas de energia, geram prejuízos grandes para empresários e transtornos para o consumidor comum", avalia. O superintendente da Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel), Paulo Henrique Silvestre Lopes, que também esteve em Campinas, avalia que o futuro do smart grid no Brasil é otimista. "Com o sistema, as hidrelétricas não serão obrigadas a funcionar sempre com a capacidade máxima, para atender o horário de pico, como ocorre atualmente. No futuro, será possível produzir o suficiente para cada horário com ofertas de preços diferenciados", afirma.
Projeto busca estabelecer aplicações integradas
O CPqD desenvolve um projeto de pesquisa de smart grid, em parceria com a AES Eletropaulo. O conceito está relacionado à integração de sistemas de energia e comunicação como forma de estabelecer uma rede inteligente, flexível, autorrecuperável e que atenda às demandas dos consumidores.
A tecnologia promete novas aplicações integradas, que irão substituir os sistemas atuais, conforme o crescimento da infraestrutura de informação em termos de extensão e complexidade. O diretor de mercado corporativo, José Eduardo Azarite, acredita que o principal desafio tecnológico para a implantar da rede no Brasil é confirmar na prática a eficácia do produto na teoria.
"Não podemos esquecer que o Brasil é um País grande e muito diferente e que cada região terá seus obstáculos. Não se trata de uma receita de bolo, mas sim de olhar para cada mercado. São Paulo, por exemplo, tem estrutura diferente da região amazônica", explica.
Adriana Giachini
Fonte: Correio Digital
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