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:: CPqD, de Campinas, tem parceira nova e desembarca em Angola

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Terça, 29 de Junho de 2010 15:18

Fundação monta joint venture com Vivagest para prestar serviços a operadoras móveis do país africano

O Centro de Pesquisa e Desenvolvimento em Telecomunicações e Tecnologia da Informação (CPqD), em Campinas, passará a prestar serviços para operadoras de telefonia em Angola. A atuação começa oficialmente em julho por meio da Spat Soluções Corporativas, uma joint venture com a Vivagest, grupo angolano que atua em seguros, transportes, indústria, construção civil, hotelaria e agricultura.

A Vivagest terá 60% do capital da Spat. Os outros 40% serão do CPqD, instituto de desenvolvimento tecnológico da Telebrás criado em 1976 e hoje atuando como fundação de direito privado, ou seja, como instituição de pesquisa sem fins lucrativos.

À frente da nova empresa estará Roberto Tchian, pesquisador do CPqD e gerente dos projetos para o mercado angolano desde 2005. Junto com outros dois diretores brasileiros, ele comandará inicialmente 20 pessoas.

A Spat terá sede em Luanda, mas seus profissionais atuarão mesmo dentro das operadoras locais de telefonia celular. Neste primeiro momento, o modelo de negócio é oferecer consultoria e gerenciamento de infraestrutura de rede para as empresas de telefonia. Os contratos firmados até agora somam US$ 3 milhões, segundo Tchian, que prevê um potencial de crescimento enorme para a nova consultoria.

Ele afirma que o mercado angolano é eminentemente de telefonia móvel com transmissões a partir de rádio e satélite. A rede de fibra óptica foi quase toda destruída por conta de mais de 25 anos de guerra civil. Parte da infraestrutura de telefonia fixa foi recuperada, porém não funciona perfeitamente. "A reconstrução da infraestrutura do país afeta as conexões", diz Tchian. "Além disso, o preço dos serviços é um dos mais caros do mundo".

Metade da população angolana, estimada em 14 milhões de pessoas, não tem acesso aos serviços de telefonia. Mas, por conta do alto custo, o mercado local de telecomunicações movimenta, em média, US$ 500 milhões ao mês, segundo o executivo.

Um dos principais clientes da Spat será a maior operadora de celular do país, a Unitel, companhia privada com uma base de cerca de 4 milhões de linhas ativas - a maioria pré-paga. A segunda colocada no ranking é a estatal Angola Telecom, com 2 milhões de linhas. As linhas fixas não passam de 500 mil.

Call center

O cenário estimula a Spat a entrar em áreas nas quais o CPqD não atua no Brasil. Segundo Tchian, está nos planos da nova empresa prestar até serviços de call center para melhorar o relacionamento entre as operadoras e os clientes. Ele diz que, como 90% das linhas são pré-pagas, as operadoras acabam sem identificar os contratantes dos seus serviços. "Há oportunidade para estruturar projetos desse tipo, que ajudem a expandir as vendas", afirma Tchian.

Em território nacional, a Spat ajudará na exportação de sistemas desenvolvidos pelo CPqD no Brasil. Entre eles, os programas de cobrança de contas dos usuários, que hoje estão entre os de maior demanda pelas operadoras angolanas. Os serviços do CPqD em sistemas de cobrança são usados, por exemplo, pela MSTelcom, companhia associada à Sonangol, maior petrolífera do país.

ENTRAVE

Mão de obra qualificada é desafio para a operação Roberto Tchian, presidente da Spat Soluções Corporativas, diz que um dos entraves para a operação em Angola é a contratação de mão de obra qualificada. Segundo ele, a maioria dos profissionais do setor de telecomunicações do país estão bem empregados em grandes operadoras. Mas a ideia dele não é solucionar o problema exportando profissionais do CPqD para aquele país. Pretende exatamente promover intercâmbios pontuais, para projetos específicos e assim permitir a transferência de conhecimento. Tchian também mira a contratação de alunos formados pelo Centro Universitário de Lins (Unilins), no interior paulista. A faculdade possui um convênio com a Sonangol, principal petrolífera do país, para formação de estudantes na área de engenharia e telecomunicações. Hoje há 148 alunos angolanos matriculados na instituição. Segundo a coordenadora do programa na Unilins, Raquel Elorza, quando eles terminam os cursos que duram, em média cinco anos, os recém-formados voltam para casa.

OPERAÇÃO INICIAL

US$ 3 mi é a soma dos primeiros contratos fechados pela Spat, joint venture que abrirá espaço para a atuação do CPqD no mercado angolano.

ASSINANTES

6 milhões é a estimativa do total de linhas de telefonia ativas em Angola.

 

Ruy Barata Neto

Fonte: Brasil Econômico



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