Imprensa e Eventos
Notícias
Espaço branco é alternativa para a comunicação sem fio
Usar faixas ociosas ajuda a otimizar a tecnologia
Otimizar o uso da radiofrequência digital utilizada para a comunicação sem fio é um desafio para cientistas do mundo todo. As faixas de frequência, por onde são transmitidas os sinais da TV digital, da radiodifusão, da banda larga, da telefonia celular e da internet móvel, estão se esgotando e a utilização das que restam é muito cara.
"As melhores faixas de frequência são as mais baixas, mas elas já estão ocupadas. As mais altas dão muito trabalho e requerem muito investimento para operar de forma adequada", explica o secretário de Telecomunicações do Ministério das Comunicações, Roberto Pinto Martins.
Cientistas estão começando a estudar meios mais simples e baratos para melhorar o uso desse recurso. O pesquisador da gerência de sistemas de comunicações sem fio do CPqD, Fabrício Lira Figueiredo, explica que entre as faixas há espaços brancos, que não são usados. Os chamados white spaces existem para evitar interferência entre as faixas. E é neles que os cientistas fazem as suas apostas.
Estudiosos veêm nesses espaços uma alternativa viável que garanta a criação de novos canais para a expansão dos serviços de comunicação sem fio. O Brasil está investindo em pesquisas nessa área. "Poucos são os países que estão pesquisando isso. Índia, Estados Unidos e China são alguns e agora nós. Com esse projeto, o Brasil está saindo na frente", conta o diretor nacional de tecnologia da Microsoft no Brasil, Raimundo Nonato da Costa.
Por aqui, os estudos serão conduzidos por meio de uma parceria entre o CPqD e a Microsoft Research. Uma das frentes de atuação é o desenvolvimento de rádios cognitivos, os chamados rádios inteligentes. "Rádios cognitivos são capazes de descobrir como usar de forma dinâmica o espectro eletromagnético para produzir novo meio de transmissão de dados sem interferir nas outras frequências", explica o diretor da Microsoft.
Costa conta que o centro de pesquisa da empresa nos Estados Unidos já desenvolveu um protótipo e essa tecnologia será transferida para o Brasil.
"A Microsoft Brasil está comprometida em apoiar o governo brasileiro a expandir o espectro eletromagnético de acordo com a proposta da Anatel para as melhorias da infraestrutura de banda larga no Brasil. Dessa forma, o País terá condições de alcançar níveis superiores de competitividade e inovação, além de gerar mais emprego e oportunidades", acredita Michel Levy, presidente da Microsoft Brasil.
A utilização dos white spaces precisa ser regulamentada pela Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel). Isso ainda não aconteceu no Brasil porque o assunto é novo. Segundo Costa, a Federal Communications Commission (FCC) dos Estados Unidos está regulamentando a questão e autorizou os testes de uso desses espaços.
Jarbas Valente, conselheiro da Anatel, esclarece que as discussões sobre o assunto estão em andamento. "O Brasil é muito grande e precisa dessa tecnologia para aumentar a cobertura desses serviços. A regulamentação é fundamental para o País", afirma.
O pesquisador do CPqD diz que o estabelecimento de regras é importante para definir como esse espaço será utilizado. Segundo ele, muitas vezes é a tecnologia que aponta o caminho da regulamentação.
SAIBA MAIS
Espectro eletromagnético é o intervalo completo de todos os tipos de radiação eletromagnética, contém ondas de rádio, micro-ondas, infravermelho, luz visível, raios ultravioleta, raios X e radiação gama.
Patrícia Azevedo
Fonte: Correio Popular
CPqD - Todos os direitos reservados -
Mapa do Site