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Segunda, 15 de Novembro de 2010 00:00

EFICIENTE - As smart grids integram e automatizam os processos de distribuição

Concessionárias de energia elétrica estão se rendendo às redes inteligentes, as chamadas smart grids, que integram e automatizam os processos relacionados à distribuição de eletricidade. Na CPFL Energia, computadores, radiocomuni-cadores, internet por fibra ouça e equipamentos estão conectados em rede. A integração dessas soluções, diz o gerente do Departamento de Controle Operacional da CPFL, Rodrigo Bianchi, permite melhorar o desempenho e a automação dos processos relacionados à energia.

Sistema reconhece área do cliente pelo numero do telefone

Os equipamentos das subestações estão todos conectados e as informações sobre o funcionamento são repassadas em tempo real para o centro de operações da empresa. Até as hidrelétricas podem ser operadas de forma remota, explica Bianchi.
Se uma máquina para de funcionar, o centro de operações recebe a informação. A transmissão dos dados é feita por meio de tecnologias wire-less como o Wimax, Zigbee, ra-diofrequência ou celular. E equipes são destacadas para o local, a fim de providenciar o reparo.

Esse centro de operações atualiza as comunicações enviadas para o sistema de atendimento da empresa. "Quando alguém liga para avisar que a energia elétrica caiu na sua casa, já temos essas informações", conta o gerente.

E se o cliente cadastrou seu telefone na empresa, não precisa falar com o atendente para saber a previsão de religa-mento. "O atendimento automático reconhece pelo número do telefone que o cliente está em uma área atingida pelo problema e já fornece a previsão de religamento", conta o gerente. Essa informação também pode ser repassada ao consumidor por meio de SMS. "O usuário tem que cadastrar o número do seu celular na página da CPFL na internet", acrescenta.

As subestações da empresa usam chaves automatizadas que identificam e corrigem problemas sem a necessidade de intervenção humana. Essas chaves são equipamentos que fazem a manutenção da rede, permitindo abrir e fechar circuitos para fazer reparos.
Quando há queda de energia em um determinado local, explica o gerente, a chave isola o trecho com defeito e restabelece a energia nos trechos subsequentes. "Tudo é feito de forma automática e, depois, a equipe é deslocada para consertar o erro", comenta.

Os operadores têm também acesso em tempo real a informações climáticas dos radares do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe). "Quando vemos que uma tempestade se. aproxima, colocamos todas as equipes de prontidão para atuar em casos de emergência. Se necessário, deslocamos pessoal de outras regiões", diz Bianchi.

SAIBA MAIS

O uso de um conjunto de tecnologias possibilitou à CPFL reduzir as perdas de energia elétrica e o tempo de desligamento da rede. Enquanto a média nacional é de 12 horas por ano, nas cidades de atuação da CPFL o índice é de seis horas. "E 30% desse tempo é de desligamentos programados", conta o gerente Rodrigo Bianchi.

Medidor de consumo será substituído

Um dos passos para a operação de redes inteligentes é a adoção de medidores eletrônicos de energia. A partir de 2011 e 2012, a Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) começa uma campanha para estimular a substituição dos medidores. "Ainda estamos na fase de definição do padrão a ser adotado, mas a Aneel está conduzindo o assunto e deve iniciar em breve uma campanha para a troca dos medidores", explica o pesquisador do CPqD Luiz Hernandez. Com esse equipamento, é possível não só reduzir a perda de energia, mas também otimizar o consumo nas residências. "Podemos estabelecer padrões de consumo e o desvios servem para identificar possíveis roubos", esclarece o gerente do Departamento de Controle Operacional da CPFL, Rodrigo Bianchi. O consumo é medido em tempo real e de forma automatizada. "Não é preciso mandar um funcionário para fazer a leitura, tudo é feito de forma remota", conta. Por enquanto, somente grandes consumidores estão usando esses medidores digitais. Com eles, o usuário pode acompanhar a evolução da energia que gasta. "Pode ser avisado por e-mail quando atingir a meta", completa Bianchi. Com a tecnologia, a concessionária pode traçar um perfil de consumo do cliente. "Podemos oferecer produtos de acordo com esse perfil", diz Bianchi. O pesquisador do CPqD conta que a tecnologia permite a implantação da tarifa diferenciada. "O custo da tarifa fora dos horários de pico cai e nos horários de pico sobe um pouco. Isso estimula o uso racional da energia", conta Hernandez.
O uso dos telemedidores permite ainda, segundo o pesquisador, operar a rede com mais qualidade e eficiência. "Sabendo os hábitos de consumo é possível dimensionar a rede, os investimentos e recursos com mais qualidade", afirma. (PA/AAN)

Software desenvolvido pelo CPqD reduz perdas

Aloccap encontra a localização ideal para instalar bancos de capacitores

Uma solução tecnológica desenvolvida pelo CPqD permite reduzir as perdas técnicas e dar mais eficiência ao uso da rede elétrica pelas distribuidoras. Desenvolvida em parceria com a pela Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) e a Companhia Paulista de Força e Luz (CPFL), a ferramenta, batízada de Aloccap, ajuda as concessionárias a resolver um de seus principais problemas, o da energia reatí-va.

O pesquisador do CPqD Alexandre Bagarolli explica que, ao contrário da energia ativa; que é usada para fazer equipamentos funcionar, a energia reativa não é usada para produzir trabalho, como girar um motor ou acender uma lâmpada. Essa energia é transformada em calor e em campo magnético. "Ela fica circulando na rede e não pode ser usada", conta o pesquisador.
A energia reativa produz um aumento das perdas na rede de energia elétrica e atrapalha o fornecimento para os consumidores. Segundo pesquisadores, as concessionárias perdem em tomo de 5% da energia produzida com esse problema.

Atualmente, para corrigir e compensar o consumo de energia reativa, há duas opções. A concessionária pode aumentar a tensão de toda a rede ou instalar bancos de capacitores ao longo das linhas de distribuição. O equipamento captura a energia reativa e a mantém armazenada impedindo que ela circule na rede e cause prejuízos.

Mas para reduzir de forma mais eficaz a perdoe energia, os bancos de cápacitores precisam ser colocados em locais adequados. Hoje; a escolha do local é feita a partir da experiência dos técnicos. O Aloccap é um software que permite que as concessionárias encontrem a localização ideal na rede para a instalação dos bancos de cápacitores.

Bagarolli explica que esse lugar é determinado por meio de equações que levam em conta o custo com o equipamento, a quantidade de bancos de cápacitores a ser instalada e a quantidade de energia que deixa de ser perdida. Outros fatores como os padrões da rede também entram no cálculo.

"É uma ferramenta de planejamento, que mostra a alternativa mais económica para corrigir as quedas de tensão na rede e, ainda, contribui para adiar investimentos em expansão", afirma Luiz Carlos Neves, da gerência de inovação e marketing em laboratórios e infraestrutura de redes do CPqD.

O projeto foi elaborado pela equipe de Pesquisa e Desenvolvimento da CPFL com financiamento da Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel). Neves conta que o CPqD deu o formato final e fez alguns aprimoramentos para que o software seja comercializado.

Patrícia Azevedo

Fonte: Correio Popular



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