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    :: Campinas consolida posição de Maior centro de tecnologia do Brasil

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    Quarta, 27 de Junho de 2012 13:45

    A entrada em funcionamento de seu 3º polo de tecnologia no início deste ano torna Campinas—e seu entorno composto por mais 19 municípios — o mais sofisticado centro de pesquisa e desenvolvimento de ciência, tecnologia e inovação do país. Graças aos três, afirma Luiz Carlos Rocha Gaspar, presidente da Companhia de Desenvolvimento de Polos de Alta Tecnologia de Campinas (Ciatec).

    Campinas deve a eles o fato de contar com uma concentração de mais de 50 filiais das 500 maiores empresas do mundo e é responsável por 10% da produção industrial nacional (inferior apenas a de São Paulo, Rio e Minas Gerais) em setores tão diversificados como o automotivo, têxtil, metalúrgico, alimentício, petroquímico farmacêutico, telecomunicações, eletroeletrônicos, informática, química fina, mobiliário e cerâmica.

    “O Núcleo de Apoio ao Desenvolvimento de Empresas (Nade) da Ciatec, que abriga empresas nascentes e projetos de empreendimentos de cunho tecnológico, por suas características, constitui-se hoje em uma verdadeira incubadora de base tecnológica”, orgulha-se Gaspar.
    Com este terceiro empreendimento o município quer atrair mais empresas, firmar sua vocação para planejamento e execução de políticas de ciência e tecnologia, e ampliar os mais de 5mil empregos diretos gerados por seus três polos - os dois primeiros polos receberam investimentos de cerca de US$ 1 bilhão da iniciativa privada desde 1985. Nada menos que 13 instituições de ensino superior e três incubadoras tecnológicas— que atuam em parceria com as empresas privadas — destacam-se nos três polos tecnológicos campineiros. Dentre estas, aponta Gaspar, o Centro Nacional de Pesquisa em Energia e Materiais (CNPEM), mantido com recursos do Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI) e aberto a usuários do Brasil e do exterior, oferece condições para os cientistas realizarem pesquisas com nível de competitividade mundial. Nele realizam-se os principais experimentos no país, nas áreas de física, química, engenharia dos materiais, meio ambiente e ciências da vida. O CNPEM é responsável pelos laboratórios nacionais de Biociências (LNBio), de Ciência e Tecnologia do Bioetanol (CTBE) e de Nanotecnologia (LNNano).

    Também o Laboratório Nacional de Luz Sincroton (LNLS), montado num dos polos, é um exemplo de vanguarda tecnológica da cidade e no continente. Produz microscópios eletrônicos de alta resolução, de varredura de ponta, e espectrômetros de ressonância magnética nuclear. Parceira das mais importantes destes polos, a Incubadora de Empresas de Base Tecnológica da Unicamp acompanha a montagem de atémeia centena de empresas “nascentes” ao mesmo tempo.

    Por seu lado, o Centro de Pesquisas e Desenvolvimento(CPqD) montado para buscar inovação em tecnologias de informação e comunicação (TICs) possui hoje o maior programa de pesquisa e desenvolvimento da América Latina. Parte de sua ação é bancada por recursos de fundos governamentais federais para ciência e tecnologia, mas a maior parte de seus investimentos é feita com recursos próprios, provenientes dos royalties de inovações suas aproveitadas pelas indústrias e da prestação de serviços de consultoria. O CPqD é a instituição não acadêmica de pesquisa que mais requer registro de software no país e a segunda que mais solicita registro de patentes no Instituto Nacional da Propriedade Industrial (INPI).
    Funcionando dentro do complexo do CPqD — um de seus principais acionistas — a PadTec, fornecedora de soluções para redes de longa distância e especializada em sistemas de comunicação ótica é responsável pela implantação da rede de fibras óticas do Plano Nacional de Banda Larga (PNBL)

    Desta forma, Campinas consolidou sua posição de vanguarda como maior centro de pesquisa e desenvolvimento tecnológico nacional, uma vocação que cultiva há mais de 200 anos, quando o Imperador D. Pedro II fundou o Instituto Agronômico de Campinas— reconhecido internacionalmente pelas pesquisas e desenvolvimento de sementes e espécies.

    CINCO PERGUNTAS A HÉLIO GRACIOSA

    Presidente do Centro de Pesquisa e Desenvolvimento (CPqD)

    Reconhecido internacionalmente, o Centro de Pesquisa e Desenvolvimento (CPqD), instituição das mais destacadas nos polos tecnológicos de Campinas, tem hoje o maior programa de inovação em tecnologias da informação e comunicação (TICs) na América Latina e um dos maiores do mundo, como demonstra seu presidente, engenheiro Hélio Graciosa.

    Quais as principais pesquisas?
    Nas tecnologias da informação e da comunicação (TICs), dedicamo- nos a quatro áreas-eixo no nosso trabalho: banda larga em telecomunicações; smart grid em energia elétrica; banco do futuro com soluções de segurança e mobilidade; e cidades digitais/governo eletrônico. No caso da banda larga, atuamos em três frentes: sistemas ópticos de comunicação; sistemas sem fio (com tecnologia 4G); e sistemas de suporte a operações para provedores de internet de pequeno e médio portes, que terão um papel importante no Programa Nacional de Banda Larga (PNBL). Em smart grid, nosso foco são os medidores eletrônicos de energia mais avançados, que serão instalados nas residências, bem como a interligação entre esses dispositivos por meio de redes de telecomunicações. Para o banco do futuro, oferecemos sistemas de prevenção a fraudes em transações eletrônicas com cartões e também em soluções de mobilidade. No caso de cidades digitais, temos consultorias para ajudar as prefeituras a definirem a infraestrutura destinada a melhorar a gestão pública.

    Qual o desempenho do CPqD quanto à patente no Brasil?
    O CPqD é hoje a instituição de pesquisa não acadêmica que mais deposita registro de software no país e a 2ª com mais patentes no Instituto Nacional da Propriedade Industrial (INPI). Até 31 de maio, depositamos 761 pedidos de registro de software, sendo 28 deles apenas deste ano. No mesmo período os pedidos de patentes no INPI somaram 356, dos quais 10 somente deste ano.

    Em que consiste a Zelox, que o CPqD acaba de lançar?
    A Zelox é a primeira empresa que o CPqD lançou dentro do nosso programa de empreendedorismo Inovar é Mais Negócio. O objetivo do programa é estimular a criação de novas empresas, em parceria com fundos de capital de risco, para viabilizar produtos e negócios baseados em tecnologias desenvolvidas no CPqD. Seu foco de atuação será a oferta a bancos de sistemas sofisticados e avançados de prevenção a fraudes em transações eletrônicas — principalmente com cartões e internet banking — no modelo de software como serviço, que permite inclusive que as instituições financeiras com operações menores tenham preços adequados. O investimento para colocá-la em operação foi de R$ 20 milhões.

    Em quais áreas de pesquisas em TI o CPqD lidera hoje?
    Uma das áreas em que o CPqD está no nível dos países mais avançados do mundo é o de sistemas de comunicação óptica. Tanto que nossa tecnologia nessa área foi apresentada no estande do Brasil na CeBIT 2012, o maior evento mundial de TICs, realizado todos os anos na Alemanha. Na área de. identificação biométrica por meio de reconhecimento de face e de voz (fala), com aplicações em segurança, também estamos em níveis equivalentes aos do mercado internacional. O mesmo pode ser dito dos sistemas de informação geográfica do CPqD com aplicação em telecomunicações — por exemplo — para o gerenciamento da unidade das operadoras.

    Qual a receita do CPqD em2011 e a previsão para 2012?
    O CPqD teve uma receita de R$ 260 milhões em 2011 e a previsão para 2012 é R$ 300 milhões. Desse total, 45% veio da área de telecomunicações e 20% da de energia elétrica. Os outros 35% dos segmentos financeiro, indústria, corporativo, governo e do mercado internacional. Os recursos de fundos de P&D do governo são responsáveis por 23% da receita. Os outros 77% vêm do mercado. Desses 77%, a comercialização de software representa 56,5%; os serviços de consultoria, projetos, ensaios de laboratório, etc. são responsáveis por 29,3%. E os royalties, por 8,3%.



    Aristeu Moreira - Brasil Econômico - 27/06/2012



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