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Notícias 2009
CPqD desenvolve sensor para identificar corrosões em avião
Um projeto desenvolvido pelo Centro de Pesquisas e Desenvolvimento em Telecomunicações (CPqD), em Campinas, pode significar, em alguns anos, um grande avanço econômico para a indústria aeronáutica, por facilitar a identificação e o controle de corrosões nas estruturas dos aviões, responsáveis atualmente pela maioria das horas de manutenção. Em fase inicial de desenvolvimento, a pesquisa prevê a descoberta de um sistema que permita, remotamente, a detecção desse tipo de desgaste.
Quando concretizado, o projeto será uma solução para um problema recorrente em todo o mundo. Atualmente, sem nenhum sistema capaz de fazer essa inspeção, toda a verificação de corrosão é feita visualmente por técnicos, que precisam desmontar partes da aeronave, única maneira de conseguir chegar a componentes de difícil acesso e bastante sujeitos à corrosão, como o tanque de combustível, que fica dentro da asa do avião.
Em situações normais, a cada 5 mil horas, a companhia aérea precisa parar seus aviões por períodos que chegam a cinco dias, apenas para verificar a situação das estruturas metálicas. Geralmente, são desmontadas partes dos banheiros, do trem de pouso, cozinha e porão de carga, áreas com maior índice de problemas. O carpete dos corredores também é retirado, para verificar se a estrutura metálica do piso não foi danificada, uma vez que alimentos e bebidas derramados pelos passageiros podem levar a danos. No caso dos aviões cargueiros, dependendo do tipo de componente que transportam, a inspeção deve ser feita em períodos ainda menores. A corrosão nos aviões é bastante comum, não só pelas substâncias que entram em contato com as estruturas metálicas, mas também pelas variações de temperatura que a aeronave enfrenta.
O projeto do CPqD, encomendado pela Embraer e financiado pela Financiadora de Estudos e Projetos (Finep), é coordenado pela química Maria do Rosário Fabeni Hurtado. De acordo com ela, a pesquisa prevê a criação de uma rede de sensores que, instalados em pontos estratégicos da aeronave, identificariam os pontos de corrosão e os transmitiriam a uma central, diretamente ligada à assistência técnica. "Um dos desafios tecnológicos que enfrentamos é encontrar os materiais e as tecnologias que possam ser utilizados nas aeronaves, sem oferecer nenhum risco e que passem em todas as certificações de segurança e qualidade", diz a pesquisadora.
Técnicas
O gerente de inovação da Diretoria de Laboratórios e Infraestrutura de Redes do CPqD, Luiz Carlos Neves, explica que, para o desenvolvimento dessa tecnologia, foram selecionadas e serão estudadas quatro técnicas e, a partir delas, uma ou duas deverão servir de base para a criação do protótipo. Como o projeto está em fase inicial, ainda não se sabe a quantidade de sensores que será necessária instalar em cada aeronave, nem qual a área que cada um deles conseguirá monitorar.
Uma das possibilidades que estão sendo analisadas é a utilização da fibra ótica, uma vez que, com esse sistema, um sensor conseguiria inspecionar uma grande área. Apesar da previsão de que as pesquisas para a realização do primeiro protótipo estarão prontas em 2011, a utilização do novo sistema deve demorar quase uma década para ser concretizada. "Pela experiência, antes de cinco ou seis anos de testes, não deve sair nenhuma certificação. E é provável que, quando o sistema for implantado, ocorra uma diminuição gradual das inspeções visuais das corrosões da aeronave, até que tudo fique a cargo dos sensores", afirmou Neves.
O NÚMERO
13 PESQUISADORES
Do CPqD nas áreas de hardware, software, sensoriamento e corrosão trabalham no projeto
Tecnologia pode ser um diferencial para o mercado
A criação de um sensor para monitorar remotamente as corrosões em aviões pode se tornar um diferencial para o mercado de aeronaves. "Os fabricantes que tiverem esse sistema terão algo a mais para oferecer às operadoras aéreas. Essa será uma vantagem competitiva, porque o custo da manutenção será menor", explicou a pesquisadora Maria do Rosário Fabeni Hurtado. No caso dos boeings e dos airbus, por exemplo, 70% do custo de inspeção da aeronave, hoje, dizem respeito à avaliação dos pontos com corrosões. "Por esse motivo, a criação de um sistema capaz de reduzir os custos é um desafio mundial", afirmou a pesquisadora. Com a tecnologia que está em estudo, o tempo para o desmonte das peças desaparece e só será feito se houver a necessidade de consertos. Apesar de o sistema de monitoramento ficar o tempo todo instalado na aeronave, ele só é acionado em terra. "Não há a necessidade de um sistema que faça essa inspeção em pleno voo, pois o período não é suficiente para que haja uma corrosão que traga problemas. Se fosse necessário criar um sistema que operasse no ar, as exigências seriam ainda maiores, teríamos muito mais dificuldade, pois seria preciso avaliar se não haveria interferências na comunicação e na segurança", afirmou Maria do Rosário. (FO/AAN)
Por Fabiano Ormaneze
DA AGÊNCIA ANHANGUERA
Fonte: Correio Popular - Cenário XXI
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