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Notícias 2009
Sistema avalia radiação de celulares
Programa desenvolvido pela Unicamp faz a análise eletromagnética dos aparelhos em humanos
Pesquisadores da Faculdade de Engenharia Elétrica e de Computação (Feec) da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), em parceria com o Centro de Pesquisa e Desenvolvimento em Telecomunicações (CPqD), desenvolveram um programa que avalia os efeitos da radiação eletromagnética emitida por aparelhos celulares em humanos. "O sofware é baseado em um modelo de análise eletromagnética. A base matemática são equações complexas", afirma o professor Hugo Enrique Hernan-dez Figueroa, que coordenou o grupo de pesquisadores.
Cientistas elaboraram pacote computacional e usaram simulador
Os cientistas desenvolveram um pacote computacional e fizeram testes do simulador. Eles escolheram um modelo na forma de cabeça humana e colocaram líquidos e materiais que simulam o tecido humano da forma mais fiel possível. O celular é colocado na base do recipiente (boneco) e ligado. "Não podemos fazer esses testes em humanos porque é necessário colocar uma sonda na cabeça. Com o modelo, a sonda é inserida no interior da cabeça do modelo e um braço mecânico faz a 4" medição", diz o professor da Unicamp.
O modelo desenvolvido na universidade avalia a influência que o uso do celular provoca no aumento da temperatura do corpo humano. "Ele pode ter várias aplicações possíveis, é só deixar a imaginação rolar e atualizar o modelo", afirma o professor.
Os cientistas da Unicamp elaboraram as equações matemáticas necessárias para a criação do software e os pesquisadores do CPqD fizeram toda a parte de informática. "O software tem uma interface amigável e pode ser usado por qualquer profissional que tenha conhecimento de matemática", diz Figueroa.
Após a montagem das geometrias adequadas a cada modelo de aparelho, o programa executa o cálculo da distribuição de campos eletromagnéticos em todo o espaço. A partir daí, o software calcula a distribuição de temperatura e, também, de um parâmetro denominado Specific Absorption Rate (SAR), que significa taxa de absorção específica dos tecidos. Esse é o parâmetro que representa o efeito da radiação eletromagnética nos tecidos. Nesse momento, é verificado se o que é emitido pelo aparelho está de acordo com a regulamentação brasileira.
Agências no mundo todo - como a Agência Nacional de Telecomunicações (Anatei) - controlam as emissões de radiação geradas por celulares. Todo produto da área, antes de entrar no mercado, passa por um processo de certificação, coordenado pela Anatel no Brasil. Cada novo modelo é submetido a vários testes, sendo que um é a medida da SAR, cuja avaliação é feita no CPqD. Nenhum dos modelos vai para o mercado se não atingir as especificações.
Hoje, esses testes são feitos no Brasil com equipamentos e tecnologia estrangeira. O modelo desenvolvido em Campinas é único no Brasil. "É importante porque, agora, temos a tecnologia para fazer os testes e podemos usar o equipamento para outras pesquisas, desde que o modelo seja aperfeiçoado", afirma o professor.
De acordo com testes preliminares, os equipamentos estão dentro dos padrões preconizados por agências internacionais. O estudo faz parte do projeto Telecomunicações e impactos na saúde e no meio ambiente, financiado pelo Fundo Nacional de Desenvolvimento das Telecomunicações (Funttel). O programa campineiro foi batizado de BR-SAR.
Know-how
Figueroa explica que seu grupo desenvolveu, ao longo de dez anos, técnicas sofisticadas de cálculo de radiação eletromagnética. Segundo ele, foi atingido um nível muito bom no desenvolvimento do simulador. Esse produto deverá servir como exemplo para outros aplicativos e facilitará a intera-ção com pesquisadores que não trabalham com a parte de simulação.
Software servirá de apoio para atividades do CPqD
O desenvolvimento do software BR-SAR servirá de apoio às atividades que o CPqD vem desenvolvendo na área de comunicações sem fio, em especial a de testes da emissão de SAR dos aparelhos celulares. Para o professor Hugo Figueroa, da Unicamp, certificar um equipamento com larga escala de utilização é uma contribuição importante da ciência em termos sociais.
Ele diz que o modelo desenvolvido em conjunto com o CPqD continuará sendo aprimorado porque, certamente, novos efeitos surgirão e serão incorporados. A pesquisa já gerou outros seis trabalhos de iniciação cientifica, desenvolvidos em parceria com a professora Marli de Freitas Gomes Hernandez, da Faculdade de Tecnologia (FT) da Unicamp. Os pesquisadores acreditam que o software poderá ser usado durante o desenvolvimento de novos aparelhos, pois há a necessidade da realização de testes para a medição da SAR. O simulador construído poderá reduzir o tempo dos testes porque, ao invés de construir fisicamente o telefone celular, ele pode ser avaliado. O maior diferencial do software é a interface de usuário muito amigável. Há uma facilidade muito grande no desenvolvimento do trabalho, na obtenção de resultados e na realização da simulação. Pesquisadores comentam que o programa de computador desenvolvido trabalha em três dimensões (3D) e com rotações, permitindo analisar telefones com diferentes tipos de antenas.
Patrícia AzevedoFonte: Correio Popular - Cenário XXI
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