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CPqD Notícias Relacionadas Notícias 2011 Sistema permite agendamento de consulta pela TV
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Sexta, 04 de Fevereiro de 2011 09:19

Aplicativos desenvolvidos pelo CPqD também possibilitarão ao brasileiro o acesso a dados da Previdência pela televisão digital

Agendar uma consulta nos hospitais do Sistema Único de Saúde (SUS) confortavelmente sentado no sofá, durante os intervalos de seu programa de TV favorito, usando apenas o controle remoto. Algo que hoje parece ser impossível já pode se tornar realidade graças à implementação do sistema de TV digital no Brasil, em 2007. Além de aumentar a resolução e melhorar a qualidade das imagens, o sistema também vai possibilitar a implementação de recursos de interatividade como a marcação de consulta.


Para isso, o CPqD trabalha há dois anos no desenvolvimento de aplicativos para TV voltados para inclusão digital. Além de possibilitar o agendamento de consultas pela televisão, estes sistemas também vão viabilizar o acesso a informações de previdência social como o extrato do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS), por exemplo. Haverá, ainda, uma ferramenta para que os usuários procurem emprego por meio da televisão.


O CPqD estima que terá finalizado totalmente os aplicativos em mais um ano. Segundo o pesquisador José Orfeu, em dois anos as ferramentas devem entrar em uso. O público alvo são as pessoas das classes C, D, E, que não têm acesso a PCs e, muitas vezes, não estão familiarizadas com computadores. "Será uma forma de diminuir a barreira da população com tecnologia, já que 98%dos lares do país tem tv", afirma Orfeu.


Apesar dos projetos do CPqD, o Ministério das Comunicações, no entanto, afirma que não é responsável nem pede para nenhuma instituição desenvolver aplicativos para TV digital. A participação do Ministério é somente no fomento e financiamento por meio do Fundo para o Desenvolvimento Tecnológico das Telecomunicações (Funttel). Os recursos angariados pelo CPqD totalizaram R$ 16 milhões e, segundo Orfeu, nos dois anos de projeto já foram gastos R$ 7 milhões. O restante deve ser aplicado no próximo ano de pesquisa. Para utilizar todos os recursos dos aplicativos do CPqD, os usuários terão também de ter acesso à internet por meio da tv, segundo Orfeu.


Para que isso seja possível, a aposta é no Plano Nacional de Banda Larga, lançado em maio do ano passado.O objetivo do plano é triplicar o acesso à banda larga em todo o Brasil é uma das expectativas é disponibilizar o serviço para 40 milhões de domicílios até 2014.
Além da internet, a interatividade exige, também, que os televisores ou receptores tenham embutido o software Ginga, desenvolvido pela Universidade Católica do Rio de Janeiro (PUC-Rio) e pela Universidade Federal da Paraíba (UFPB).


Outros projetos


Além dos aplicativos voltados para o governo, o CPqD também desenvolve outros sistemas voltados para comércio eletrônico, ensino a distância e jogos, tudo por meio da TV. Por meio dos aplicativos de comércio eletrônico será possível comprar produtos que apareçam na programação, como a roupa que um personagem da novela está usando, por exemplo.

CPqD está desenvolvendo sistemas de comércio eletrônico e ensino a distância para TV digital com recursos do Funttel, no valor de R$ 16milhões
Pelo controle remoto, telespectador poderá acessar aplicativos na TV. A previsão do CPqD é que os sistemas estarão em uso em dois anos

TECNOLOGIA NACIONAL

Chip brasileiro pode baixar preço de equipamentos com TV digital
Para baixar os preços e popularizar os conversores, TVs e demais equipamentos com acesso à TV digital no Brasil, o Instituto Eldorado desenvolveu, em parceria com a brasileira Idea! Sistemas Eletrônicos, um chip para recepção do sinal de TV digital, o único nesse segmento projetado no país.

O objetivo da Idea! é comercializar o produto para fabricantes nacionais de equipamentos que podem ter acesso à TV digital, como computadores, por exemplo, de acordo com José Eduardo Bertuzzo, gerente de desenvolvimento de hardware do Instituto Eldorado.

O produto é cerca de 25% mais barato que o importado, segundo Bertuzzo. Ele afirma que o chip desenvolvido utiliza a tecnologia de 65nm (nanômetros, uma subunidade do metro), o que quer dizer que utiliza menos silício que os importados. "Como as empresas que utilizam o sistema japonês de TV digital desenvolveram seus chips há mais tempo, a tecnologia utilizada é mais antiga que a nossa", afirma Bertuzzo. Os chips serão fabricados em Singapura, na fábrica da Global Foundries, já que não há empresas que produzam este tipo de produto no Brasil. A Idea! já está negociando com empresas nacionais da área de PCs e tablets. "As empresas nacionais não querem utilizar a tecnologia de concorrentes multinacionais", diz Bertuzzo.

Interatividade ainda não deslanchou

A TV digital brasileira completou três anos em dezembro, sem grande alarde. Apesar do rápido avanço técnico, a população continua sem conhecer suas vantagens e a interatividade, única inovação brasileira, ainda não vingou. O sinal digital já cobre mais de 50 cidades, sendo 24 capitais, abrangendo quase dois terços da população. Das capitais, apenas Macapá, Rio Branco e Boa Vista não possuem transmissões digitais, que devem começar este ano.

Já no âmbito internacional, onze países aderiram ao sistema brasileiro, além de Brasil e Japão: Argentina, Chile, Venezuela, Peru, Equador, Paraguai, Bolívia, Costa Rica, Filipinas, Nicarágua e Uruguai. Recentemente, alguns países africanos optaram pelo sistema europeu, na única derrota da diplomacia brasileira nesses anos de venda do sistema brasileiro no exterior.

Apesar desse cenário positivo, nem tudo são flores na TV digital brasileira. Se por um lado a população ainda tem dificuldades em compreender o que significa alta definição e quais as vantagens da TV digital, por outro a interatividade não deslancha. Faltam conteúdos atraentes, existem poucos receptores à venda, que são caros e não recebem as interatividades de todas as emissoras.

Apenas para comparar, a Argentina, que adotou a tecnologia brasileira, está mais avançada no desenvolvimento de programas interativos do que o Brasil, criador da tecnologia. Por meio de incentivos governamentais, foi criada uma rede de desenvolvimento universitária de conteúdos. Além disso, o governo comprou e está distribuindo gratuitamente para a população carente 500 mil receptores digitais e interativos, garantindo o mercado inicial do sistema. No país vizinho a inclusão digital usando a TV digital está caminhando de fato.

Já no Brasil, a interatividade ficou na mão das empresas.Desde 2007 há problemas para se chegar a um acordo sobre o que deve compor a interatividade, quais os passos para sua implantação, e como testar a compatibilidade dos receptores. Para que a interatividade funcione bem, todos os receptores devem mostrar de forma igual o que é transmitido por todas as emissoras.

A TV digital trabalha comum série de tecnologias, que vão desde sistemas de transmissão, codificação, até softwares de interatividade. Das tecnologias adotadas pelo Brasil, todas são estrangeiras, com exceção de parte do sistema de interatividade, desenvolvida pela PUCRio. Este sistema, completado com tecnologia americana, recebeu o nome de Ginga. Ele pode vir instalado nas TVs de alta definição ou nos adaptadores, que permitem ver TV digital nas tradicionais TVs de tubo.

Como parte do mercado descartou a interatividade, surgiu a ideia de o governo obrigar os fabricantes de receptores a incluírem o Ginga. A ideia está sendo discutida pelo Ministério das Comunicações. No entanto, obrigar um fabricante a incluir um software na TV não garante o desenvolvimento do mercado e muito menos o oferecimento de conteúdos interessantes para o público, com interesse público. O sucesso da TV digital passa pelo desenvolvimento de modelos de conteúdo, não de tecnologia.

Desta vez o Brasil se mostrou capaz de desenvolver tecnologias, mas corre sério risco de não ver parte delas funcionando e nem usufruir de seus benefícios.

VALDECIR BECKER Professor da Faap e pesquisador da área de TV digital

José Orfeu, pesquisador do CPqD: dois anos de trabalho para desenvolver aplicativos para TV

José Eduardo Bertuzzo, gerente do Instituto Eldorado, que desenvolveu chip com menos silício

Carolina Pereira

Fonte: Brasil Econômico



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Keywords relacionadas a esta publicação:

tv digital, inclusão digital
 

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