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    CPqD Notícias Relacionadas Notícias 2011 E-lixo é o desafio do ano no CPqD
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    Quinta, 14 de Abril de 2011 10:00

    Meta do centro de pesquisa é recolher e dar destinação a 2 toneladas de eletrônicos

    Amauri Zini - E-lixo é o desafio do ano no CPqDO Centro de Pesquisas e Desenvolvimento em Telecomunicação (CPqD) é facilmente associado no imaginário a um lugar em que a tecnologia nasce e se desenvolve. Faz todo sentido, uma vez que grandes inventos que hoje tornam a vida mais fácil surgiram por lá. No entanto, cada vez mais, a instituição quer se tornar conhecida também pela destinação correta dos resíduos e, principalmente, pela conscientização da necessidade de práticas sustentáveis. Desde 2003, o CPqD desenvolve, a cada um ano, ao menos um projeto em que busca economizar materiais, compensar danos ao meio ambiente ou destinar corretamente o que não tem mais utilidade.

    Cada brasileiro produz cerca de 3 quilos por ano

    Para este ano, por exemplo, a meta é recolher, no mínimo, 2 toneladas de materiais e equipamentos eletrônicos, o chamado e-lixo, com um contêiner instalado na área interna do CPqD que está recebendo peças e produtos trazidos pelos funcionários. Ao todo, neste ano, haverá quatro períodos para que os empregados levem os materiais. Durante dois dias em cada bimestre, o contêiner estará disponível para a arrecadação. A primeira oportunidade do ano para se desfazer de forma correta dos equipamentos eletrônicos está ocorrendo entre ontem e hoje. "Temos feito uma divulgação intensiva dessa proposta entre todos os nossos funcionários, de modo que a participação seja cada vez maior", explica o gerente de engenharia e serviços do CPqD e responsável pela iniciativa, Amauri Zini.

    Funcionário Antonio Carlos Figueiredo contribui para campanha no CPqDTudo o que for arrecadado será encaminhado para a Oxil, empresa de Paulínia que realiza a destinação correta e o reaproveitamento do que é possível, a partir do conceito de manufatura reversa. O nome da empresa já demonstra a proposta - é a palavra lixo ao contrário. "Nós recebemos todo o material, separamos por categoria e fazemos a destinação para recicladores e, em alguns casos, para as próprias empresas fabricantes", diz Carlos Gorri, gerente comercial da Oxil, que tem capacidade para fazer esse processo com até 700 toneladas por mês. De acordo com Gorri, até 85% de todo o material eletrônico arrecado conseguem ser reaproveitados. "Só não conseguimos fazer um novo uso de materiais contaminados, como é o caso, por exemplo, de peças de impressoras que estejam manchadas de tinta", afirma.

    No entanto, até o que não pode ser usado novamente tem um destino pensado: vai para empresas cimenteiras, que usam o material como fonte de energia complementar. A possibilidade do reaproveitamento, sem prejuízo da qualidade, segundo Gorri, já chegou às grandes produtoras de eletrônicos. A multinacional HP, por exemplo, produz várias de suas peças com parte de plástico reciclado, originado de produtos antigos produzidos por ela mesma.

    Produção

    O Brasil é atualmente, entre os países em desenvolvimento, o que mais produz lixo eletrônico, com geração anual de cerca de três quilos por pessoa. "Não existe nenhuma produção que não traga agressão ao meio ambiente, por isso, é preciso se pensar em formas menos agressivas e no reaproveitamento", diz o gerente.Um computador, por exemplo, tem 32% de sua composição formada por metais ferrosos, altamente poluentes e que podem contaminar água e solo. "A preocupação com o lixo eletrônico deve ser motivo de atenção, pois o País terá, já em2012, 100 milhões de computadores que serão descartados em pouco tempo, sem contar celulares, tablets e outros produtos do avanço tecnológico", reforça Gorri.

    Oportunidade

    Coma iniciativa do CPqD, o engenheiro Antônio Carlos Figueiredo aproveitou a oportunidade para descartar uma impressora que estava ocupando espaço em casa há cerca de um ano. "Compramos uma nova e não tínhamos um lugar correto para fazer o descarte dessa peça antiga", conta. De acordo com ele, que participa de todas as iniciativas de sustentabilidade do CPqD (leia texto nesta página), a preocupação ambiental não fica restrita aos dias marcados para as ações. "A responsabilidade em relação ao meio ambiente, a economia de recursos e a destinação correta acabam virando hábito e todos nós, funcionários, passamos a fazer naturalmente. O incentivo é a melhor forma de conscientizar", diz.

    Lei nacional de resíduos traz avanços

    O Brasil aprovou, em dezembro do ano passado, a lei nacional de resíduos sólidos. Antes disso, a legislação não fazia nenhuma menção ao lixo eletrônico, depositado frequentemente junto com o lixo comum, sem nenhum critério ou preocupação de reaproveitamento pela maioria dos brasileiros. Agora, até 2014, União, estados e municípios terão de desenvolver ações que acabem com os lixões e criem estratégias de reciclagem e reaproveitamento de materiais, além do uso, pelas indústrias, de embalagens que possam ser usadas novamente. A nova legislação também destaca a importância das cooperativas e das associações de catadores de materiais recicláveis, que poderão receber linhas de financiamento público. A lei também prevê multas para quem descartar materiais de forma inadequada.

    Programa reduz o uso de recursos naturais

    Iniciativa gera economia de energia, papel e água, e estimula a reciclagem
    O CPqD desenvolve ações de sustentabilidade desde 2004. A cada ano, uma proposta diferente é desenvolvida, valorizando a conscientização de funcionários. No primeiro ano, a meta foi conquistada: 30% a menos no consumo de energia elétrica. Em 2005, quando o objetivo era reduzir 12% do consumo de papel, o resultado foi quase o dobro do esperado: 23%.

    No ano seguinte, o CPqD conseguiu encaminhar para a reciclagem cerca de 1,2 tonelada de plástico e 300 quilos de alumínio, entregues na instituição pelos funcionários. "Em vários momentos, chegamos a desenvolver competições entre os departamentos para estimular a participação", lembra o engenheiro responsável pelas ações, Amauri Zini. Em 2007, houve a redução de 20% na quantidade gasta de água em relação aos anos anteriores.

    Há dois anos, os funcionários contribuíram para deixar a cidade mais verde. A proposta foi neutralizar pelo menos 50% da emissão de gás carbônico produzido pelo CPqD e foi feito o plantio de cerca de 6,2 mil mudas de árvores num parque na Vila União, com a participação voluntária dos empregados e em parceria com a organização da sociedade civil de interesse público (oscip) Escola Viveiro. Os plantios foram retomados em 2010, quando outras 4 mil mudas ganharam o solo. Em 2009, o projeto já tinha reduzido também mais 10% do uso de energia elétrica.

    SAIBA MAIS

    O CPqD é um dos mais importantes polos de desenvolvimento de tecnologia do mundo. Criado em 1976, era no início uma estatal que detinha monopólio dos serviços públicos de telecomunicações no País. Em 1998, com a privatização, tornou-se uma fundação de direito privado. O CPqD desenvolveu uma série de tecnologias, como centrais digitais, antenas, sistemas de transmissão digital, equipamentos de transmissão ótica, fibra ótica, laser semicondutor e telefones públicos.

    Fabiano Ormaneze

    Fonte: Correio Popular



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    Keywords relacionadas a esta publicação:

    meio ambiente, estar bem, e-lixo, lixo eletrônico
     

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