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Cidades do Futuro
/ ESTRUTURA /Comunicação integrada e informação acessível a todo cidadão é o conceito do município digital
Uma cidade com comunicação totalmente integrada e acessível a qualquer cidadão, sem nenhuma restrição, pela internet. Esse é o conceito das cidades digitais, criado pelo Centro de Pesquisa e Desenvolvimento em Telecomunicações (CPqD) e definido em seis passos, que abrangem itens como cobertura total de banda larga, pontos gratuitos de wi-fi em áreas públicas, telecentros para disseminar o uso da web, governo eletrônico, integração entre municípios, estados e governo federal e uso de tecnologias que permitam acesso a deficientes e pessoas com baixa escolaridade.
O pesquisador do CPqD Marcos de Carvalho Marques diz que cidade digital é aquela que apresenta, em toda a sua área geográfica, infraestrutura de telecomunicações e internet tanto para acesso individual quanto público, disponibilizando à sua população informações e serviços públicos e privados em ambiente virtual.
O CPqD desenvolveu um estudo que lista os municípios mais digitalizados do País. De acordo com o Índice Brasil de Cidades Digitais, a maioria das analisadas está apenas no terceiro estágio, em que há acesso público à web por meio de telecentros e uso de alguns recursos de acessibilidade. “No Brasil ainda não existe uma cidade que tenha atingido todos os níveis, temos algumas cidades que chegaram ao nível três.
”O destaque do ranking é Belo Horizonte, onde os moradores têm acesso à web por meio de 325 telecentros e cerca de 40 pontos de wi-fi gratuitos em espaços públicos. A Prefeitura oferece mais de 80 serviços à população por meio de iniciativas de governo eletrônico, como a votação do Orçamento Participativo, consulta do boletim escolar, alteração de endereço para a cobrança de IPTU, consulta a processos tributários em andamento, emissão da nota fiscal eletrônica, obtenção de segundas vias de arrecadação de impostos e de certidões negativas de débito.
O município contabiliza uma média mensal de 130 mil acessos gratuitos à internet. O usuário tem acesso ilimitado ao site da Prefeitura e um limite de até duas horas diárias para navegar em outros endereços na internet.
A cidade planeja ampliar a sua rede WiMax de alta velocidade para atingir a cobertura de 90% do município. Isso permitirá aumentar a rede para 400 telecentros e 182 escolas. “Belo Horizonte aparece em primeiro lugar porque tem aplicações avançadas que permitem ao cidadão interagir e tem recursos de acessibilidade em telecentros e prestação de serviços”, explica a pesquisadora do CPqD Graziella Bonadia.
Apesar de ser importante polo tecnológico e científico, Campinas ocupa apenas o sexto lugar do ranking e ainda não chegou ao nível três. Especialistas ouvidos pela reportagem contam que o município ainda tem que vencer obstáculos para avançar e se tornar uma cidade digital. O primeiro é criar mecanismos de acesso em telecentros e no site da Prefeitura para garantir que pessoas com deficiência e com baixa escolaridade consigam navegar.
“Tem uma legislação para isso e é um projeto que está sendo tratado como prioridade”, explica Marcelo Pimenta, diretor técnico da Informática dos Municípios Associados (IMA), sem revelar prazos.
O segundo obstáculo é a falta de acesso à banda larga em espaços públicos. Apenas o Centro de Convivência oferece acesso gratuito à rede mundial de computadores. A Prefeitura pretende resolver parte dessa deficiência por meio do Plano Nacional de Banda Larga (PNBL). O número de telecentros também precisa aumentar. Hoje existem 41 pontos para acesso gratuito à rede na cidade.
Índice Brasil de Cidades Digitais
Fonte: Índice Brasil de Cidades Digitais (CPqD)
Níveis das Cidades Digitais
NÍVEL 1 – Patamar mínimo que uma cidade em vias de digitalização pode apresentar. São cidades que dispõem de infraestrutura e de serviços de telecomunicações, mas com limitação de pontos de acesso e de banda de transmissão. Em geral, não têm provedor local de acesso às redes digitais e a banda larga é de baixa velocidade e qualidade deficiente.
NÍVEL 2 – É o estágio em que se encontra a grande maioria das cidades. A população já conta com opções de conexão e há telecentros para acesso público à internet, mas com recursos mínimos de acessibilidade, como instalações físicas adequadas a cadeirantes. O número de telecentros é limitado e há restrições de banda.
NÍVEL 3 – Reúne cidades com cobertura total para acesso público. Há telecentros distribuídos em toda a sua extensão; recursos de acessibilidade e usabilidade são mais presentes e garantem que portadores de deficiência acessem a web. População pode acessar serviços públicos e privados em ambiente virtual, mas ainda há limitações de banda.
NÍVEL 4 – Cobertura é total e sem limitação de banda para o acesso público; os serviços públicos encontram-se integrados em um único ambiente virtual. Telecentros e serviços dispõem de um conjunto razoável de recursos de acessibilidade, usabilidade e inteligibilidade. Alguns serviços privados são providos em ambiente virtual.
NÍVEL 5 – Alto grau de digitalização, com cobertura total tanto para o acesso público quanto para o acesso individual. Os serviços são integrados, notadamente os públicos, e há significativa quantidade e diversidade de recursos de acessibilidade, usabilidade e inteligibilidade. Há ampla gama de serviços privados em ambiente virtual e as comunidades também são integradas.
NÍVEL 6 – Nesse patamar, os serviços públicos e privados, integrados, criam um espaço virtual que se justapõe à cidade real. As novas tecnologias de comunicação e informação passam a fazer parte das construções que emprestam volume e forma à cidade. As construções passam a ser inteligentes e interligadas em rede.
Fonte: Patrícia Azevedo DA AGÊNCIA ANHANGUERA Este endereço de e-mail está protegido contra spambots. Você deve habilitar o JavaScript para visualizá-lo.
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