P&D e Inovação
Serviços, Aplicações, Terminais e Inclusão Digital
Resultados obtidos no projeto Serviços Multiplataforma de TV Interativa
O projeto Serviço Multiplataforma de TV interativa (SMTVI) - com realização de junho de 2008 a junho de 2012 - tem por objetivo desenvolver serviços e aplicações para diversas plataformas de TV, considerando os aspectos técnicos e econômicos e seus impactos nas redes de telecomunicações, produtores e provedores de conteúdo, emissoras de TV, fabricantes de equipamentos e, principalmente, nos usuários, formado pela população brasileira, com toda sua gama de diversidade cultural, regional, educacional e econômica.
O projeto foca nos serviços interativos adequados às diversas plataformas de TV. Foram desenvolvidas aplicações em três plataformas tecnológicas tendo a TV como terminal de acesso: a TV digital terrestre (utilizando o middleware Ginga), a plataforma IP e IPTV. Em todas essas plataformas, as interfaces do usuário foram criadas para respeitar e explorar o ambiente televisivo e são o grande diferencial desenvolvido pelo CPqD nesse projeto.
Complementando o desenvolvimento dos serviços, foram pesquisados aspectos relacionados à experiência do usuário e segurança da informação. Também são resultados do projeto, uma ferramenta de autoria de aplicações interativas e um browser de serviços para TV.
Acompanhe cada um desses resultados:
SERVIÇOS
O sistema foi desenvolvido com base em arquitetura cliente-servidor orientada a serviços para garantir a interoperabilidade das aplicações multiplataforma. O servidor é um conjunto de módulos responsáveis por manter todas as regras de negócios e de armazenamento. Utilizando a tecnologia Web Services, esse sistema possibilita que um serviço possa ser executado em diferentes plataformas de TV e em diferentes terminais de acesso. Exemplificando: um serviço de marcação de consulta médica pode ser desenvolvido para a televisão terrestre e para a plataforma IP e ser acessado por uma TV. Indo além, essa arquitetura permite também desenvolver esse mesmo serviço para outros terminais de acesso como telefones celulares e microcomputadores.
No lado cliente, o grande destaque é a utilização de componentes para a implementação das interfaces gráficas do usuário na plataforma de TV terrestre. As interfaces desempenham um importante papel na atratividade da aplicação e devem contar com layout esteticamente agradável, serem intuitivas e "convidarem" o usuário a interagir. Os componentes permitem o reuso de códigos e provêem agilidade e flexibilidade para construir um sistema maior e mais complexo, além de diminuir os riscos e custos de implementação e manutenção. Em linhas gerais, esses componentes tratam da criação de elementos gráficos de uma tela (ícones, campos de entrada de texto, itens de menu, botões, teclado virtual) e a navegação entre elas.
Há grandes desafios a serem vencidos quando se trata de desenvolvimento das aplicações para a TV. Assistir à TV está fortemente associado ao lazer, portanto, aspectos lúdico e estético devem ser considerados. Diferentemente de uma aplicação Web executada em um computador, as aplicações na TV não contam com dispositivos de interação como teclado e mouse. Portanto, elas devem ser concebidas para apresentar informações sucintas e poucos elementos navegáveis posto que o usuário interage por meio de um controle remoto que dispõe tão somente de 10 teclas numéricas, 4 direcionais, 4 coloridas e 1 de confirmação. Além disso, ainda que os conversores digitais evoluam, hoje a capacidade de memória e processamento impõem pesadas restrições às aplicações que devem ter tamanho apropriado para serem transmitidas e executadas.
T-CoD - Conteúdo Sob Demanda
Foram desenvolvidas aplicações representativas do que ocorre na Internet no que diz respeito ao acesso a informações sob demanda e à interatividade entre usuários.
Uma das aplicações desenvolvidas nesse serviço foi a troca de mensagens síncronas entre os usuários da TV a exemplo do que é hoje um bate papo na Internet (Chat). Após criar um perfil com um avatar, apelido e telefone, e usando um teclado virtual, o usuário pode conversar com um amigo ou enviar uma mensagem de texto para o celular dele. Outra aplicação é a de Notícias que oferece informações atualizadas de hora em hora sobre política, economia, esportes, entretenimento e vários outros assuntos. Por fim, na aplicação de Clima, o usuário informa qualquer cidade do Brasil e do mundo para obter a previsão do tempo para os próximos cinco dias.
T-Gov - Governo Eletrônico
Foram desenvolvidas três aplicações voltadas para serviços de governo eletrônico: IncluaSaúde - para agendamento de consultas médicas e dicas de saúde para a população; ProcuraEmprego - para divulgação de oportunidades emprego em todo o País; PrevidênciaFácil - acesso a informações pertinentes aos diferentes tipos e processos de obtenção da aposentadoria pelo INSS. Os serviços de Governo Eletrônico disponibilizados via TV são uma das formas que o Governo pode explorar para se comunicar com o cidadão e estão aderentes ao conceito de Cidades Digitais, estudado e difundido pelo CPqD.
T-Commerce - Comércio Virtual Interativo
A aplicação desenvolvida pelo CPqD permite que o usuário possa vender ou comprar produtos a partir de um aparelho televisor. Para vender um produto, o usuário deve anunciá-lo, informando os dados pertinentes, como a descrição do produto, sua categoria, fotos e preço. Para realizar uma compra, o usuário pode navegar entre as diferentes categorias de produtos, informar uma palavra de busca e selecionar o produto desejado. Quando as informações desejadas não são suficientes para se efetuar uma compra, o usuário pode trocar mensagens com o usuário vendedor para saber mais detalhes sobre o produto. O serviço permite também avaliar o vendedor, gerenciar as transações financeiras entre usuários e o provedor do serviço de comércio eletrônico, gerenciar as compras, vendas e o fluxo de pagamentos.
T-learning - Educação à distância
Foi desenvolvido um serviço para educação à distância semelhante ao CPqD Primeiras Palavras. Esse serviço é focado na alfabetização e por meio de atividades em ordem crescente de complexidade, o usuário é conduzido e estimulado a aprender a ler e escrever. Para isso, conta com interfaces lúdicas e síntese de voz que incentivam e instruem o usuário a conhecer o alfabeto, escrever palavras em português, dividir sílabas e montar frases corretamente.
T-Games - Jogos
Os jogos desenvolvidos são aplicações de natureza lúdica, com regras simples e fáceis de aprender. Por seu caráter despretensioso, é uma forma de passatempo podendo ser jogado por crianças e adultos de todas as idades. Por meio de um portal, o usuário tem acesso ao jogo de Damas, Cobrinha (Snake), Memória, Campo Minado e Fantasmas.
EXPERIÊNCIA DO USUÁRIO (QoE)
Determinar os critérios que definem a qualidade do serviço ofertado ao usuário final é um desafio que deve ser empreendido constantemente para avaliar, de maneira abrangente e precisa, o valor real desses serviços.
Os pesquisadores do CPqD têm explorado o conceito de QoE (Quality of Experience) na elaboração de uma Metodologia de Avaliação de QoE que permita aos provedores de serviços verificar e avaliar a experiência dos usuários para os serviços de TV Interativa em múltiplas plataformas, buscando detectar, resolver e aumentar a previsibilidade de potenciais problemas no uso de novos ou existentes serviços, permitindo o sucesso da oferta.
A Metodologia de Avaliação de QoE (Quality of Experience) entendida como a aceitabilidade de uma aplicação ou serviço percebida pelo usuário em relação ao desempenho e utilidade do serviço prestado, não somente com relação aos componentes tecnológicos do sistema (terminal, rede, infraestrutura de serviços, etc) como também em relação ao contexto de uso e expectativas do usuário final, é mais um dos resultados obtidos no Projeto SMTVI.
A abordagem adotada pelo Projeto leva em consideração aspectos que afetam qualidade da rede de transporte, tipicamente conhecida como QoS (Quality of Service), a qualidade do conteúdo ofertado (dados, vídeo, áudio, voz), e a percepção do usuário no seu contexto de uso e suas expectativas (familiaridade com a tecnologia, usabilidade, acessibilidade).
A Metodologia de Avaliação de QoE em desenvolvimento permite aos provedores de serviços alcançarem níveis de qualidade percebida superiores e usufruírem de vantagens competitivas significantes, conquistando a fidelidade de sua base de clientes, bem como evitar custos desnecessários, perda de receita e diminuição de seu market share.
SEGURANÇA
A equipe de Segurança da Informação atuou no diagnóstico e na detecção de vulnerabilidades no cenário dos serviços multiplataforma de TV interativa. Para este trabalho foram concebidos, método, sistema e ferramentas para o robustecimento dos principais pontos de vulnerabilidades presentes neste cenário tais como: receptor (set top box), middleware (GINGA), canal de retorno e as aplicações. O método concebido, denominado "Método para Detecção, Análise e Prevenção de Vulnerabilidades em receptores de TV Digital Interativa Brasileira com Middleware GINGA" pode ser aplicado tanto em ambiente de desenvolvimento como em execução. O método tem as suas funcionalidades implementadas por meio de um sistema composto por dois módulos, sete ferramentas e três bases de dados. Foram concebidas ferramentas necessárias no Diagnóstico de Vulnerabilidade e Prevenção contra Ataques à partir da constatação de que atualmente os softwares estão cada vez mais suscetíveis a vulnerabilidades e questões graves de segurança, pois nem sempre o processo de desenvolvimento de software contempla o estabelecimento dos requisitos de desenvolvimento de software seguro.
Os problemas no desenvolvimento de software somado ao crescente aumento do número de usuários, cada vez mais atrativo à indústria da televisão interativa, faz com que as informações destes usuários, que representam um valioso acervo para as organizações em geral e também para pessoas mal intencionadas, passem a estar disponível e circulando neste ambiente. No entanto, as informações dos usuários devem ser protegidas por todos os atores envolvidos na cadeia de valor do SBTVD, pois são, acima de tudo, propriedades dos usuários. Por este motivo, a segurança destas informações no que tange a confidencialidade, integridade, disponibilidade, autenticidade e privacidade devem ser prontamente protegidas, em especial nos receptores do SBTVD que proporcionam interatividade plena via as funcionalidades do Middleware GINGA e interface com a Internet.
FERRAMENTA DE AUTORIA
Com o objetivo de apoiar a produção de conteúdos e aplicações por designers e profissionais de mídia sem experiência em linguagens de programação, foi desenvolvida uma ferramenta de autoria focando o desenvolvimento de conteúdos interativos para o middleware Ginga NCLua. Essa ferramenta propõe uma interface de usuário totalmente gráfica, dispensando o produtor da necessidade de entrar com dados por meio de linhas de código tanto na criação gráfica como na construção da interatividade. A ferramenta suporta a criação de animações que são controladas por uma linha de tempo e a acomodação dos elementos gráficos e textuais em camadas manipuláveis. O conteúdo é composto por cenas, ou páginas no caso de uma aplicação, e a interatividade é construída por meio de links graficamente estabelecidos entre essas cenas ou páginas. A fruição do conteúdo ou aplicação é determinada pelo usuário telespectador, que escolhe o percurso interativo disponível a ser exibido, por meio dos botões do controle remoto. Podem ser usados os botões numéricos e os coloridos. No sentido de suportar uma equipe de produção, a ferramenta disponibiliza a funcionalidade de compartilhamento de cenas e objetos, os quais são catalogados com uma estrutura de metadados, já visando atender os preceitos da Web Semântica. Atualmente, os esforços de desenvolvimento estão focados na sofisticação das funcionalidades de criação gráfica, na melhoria do desempenho da ferramenta e na otimização da interface gráfica de usuário. Essa última, visando à acomodação das novas funcionalidades com a manutenção da usabilidade da interface e cuidando de aspectos estéticos que agreguem valor à experiência do usuário produtor e profissional de mídia.
BROWSER DE SERVIÇO
Encontra-se em fase de desenvolvimento a adaptação do produto CPqD Gateway de Serviços para o ambiente de TV interativa, o qual está sendo implementado para plataforma IP (WebTV), utilizada usualmente para oferta de serviços Over the Top (OTT).
O produto, que foi concebido inicialmente para dispositivos móveis e portáteis, consiste de um sistema que permite aos usuários a navegação na Web de Serviços, através de menus interativos criados em tempo de execução. Sua arquitetura é constituída de forma a possibilitar que as aplicações não precisem ser alteradas quando os serviços acessados ou suas interfaces sofram alterações. Sua arquitetura é do tipo Cliente-Servidor, composta basicamente por um Browser de Serviços, que cria menus interativos em tempo de execução com base em descritores obtidos do Gateway de Serviços, que cataloga, descreve e provê acesso aos serviços.
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