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Em meados de 1992, a planta brasileira de telefones de uso público era de aproximadamente 250 mil aparelhos, todos operando através de fichas telefônicas. Nesta época, a densidade de penetração do serviço era de cerca de 1,5 terminal para um grupo de 1000 habitantes.

Devido à baixa qualidade de comunicação e a presença de um cofre que continha as fichas utilizadas no seu interior, os aparelhos eram vítimas constantes do vandalismo. Os reparos de telefones de uso público geravam gastos próximos aos US$ 80 milhões anuais para o então sistema TELEBRÁS.

Muitas vezes a necessidade de reparo de um telefone público só era conhecida por meio da visita rotineira de um técnico ou por solicitação de algum usuário. O custo de recolhimento, limpeza, embalagem e redistribuição de uma ficha telefônica era equivalente a 50% do custo de fabricação de uma nova ficha. Em resumo, os altos custos de operação, administração e manutenção, tornavam a telefonia de uso público um negócio deficitário e pouco atrativo, sob o ponto de vista de negócios, para as operadoras de telefonia.

Devido à necessidade de modernização da planta e seguindo a tendência de utilização de cartões em telefonia pública, técnicos da TELEBRÁS realizaram vários estudos sobre os tipos de cartões utilizados mundialmente. Alguns testes com aparelhos de tecnologia magnética foram realizados no início dos anos 90, porém os aparelhos eram importados, excessivamente caros e de difícil uso.

A TELEBRÁS recorreu então ao seu Centro de Pesquisa e Desenvolvimento - CPqD para que este desenvolvesse uma tecnologia que contemplasse alguns aspectos básicos, tais como: baixo custo de operação, administração e manutenção, que fosse de fácil assimilação pela população de baixa renda e que permitisse ligações locais e de longa distância no mesmo aparelho.

O CPqD, que já mantinha pesquisas na área de telefonia pública, apostou na a tecnologia de cartões indutivos. Para viabilizar essa opção, o CPqD desenvolveu, em parceria com empresas privadas, toda a solução para telefonia pública baseada na tecnologia indutiva: cartões, aparelhos telefônicos e sistema de supervisão. O novo sistema de telefonia de uso público foi lançado oficialmente em meados de 1992 durante um evento internacional, a Rio-92 (ou ECO-92).

Devido às inúmeras vantagens apresentadas, as operadoras de telefonia passaram a substituir rapidamente seus telefones a ficha. Os índices de vandalismo recuaram a níveis suportáveis devido à inexistência de cofre interno e à melhoria da qualidade de serviço. A qualidade de comunicação melhorou e o índice de reparos diminuiu em decorrência da substituição de componentes mecânicos por dispositivos eletrônicos.

Por meio de um software de supervisão (CPqD Supervisão Remota) passou-se a monitorar as condições operacionais de cada telefone na planta, permitindo a antecipação da identificação de problemas e a rapidez das ações de manutenção dos aparelhos. O mesmo software também realiza todo o controle de arrecadação de créditos de cartões, emitindo relatórios configuráveis de forma que as operadoras possam definir estratégias de distribuição de aparelhos em determinadas regiões. Com a tecnologia indutiva, a telefonia pública de deficitária, passou a ser um negócio rentável.

Com a privatização do Sistema TELEBRÁS, cogitou-se a substituição do sistema de telefonia pública com cartões indutivos por tecnologias utilizadas pelas novas empresas operadoras em seus países de origem. Apesar da ameaça, concluiu-se que a tecnologia indutiva ainda continua sendo a melhor opção para atender os objetivos e metas de universalização, devido ao seu baixo custo, robustez, confiabilidade e segurança contra fraudes.

Em decorrência da cisão do Sistema TELEBRÁS, cinco empresas operadoras de serviços locais diferentes passaram a explorar o serviço de telefonia de uso público. Foi necessário efetuar novos desenvolvimentos para que o sistema indutivo permitisse a compensação de contas entre as empresas, uma vez que o órgão regulador brasileiro exigiu que o usuário continuasse a utilizar o cartão telefônico em qualquer terminal, independente da operadora que o emitiu.

O sistema de telefonia a cartão indutivo evoluiu, portanto, para esse novo cenário, com a criação, pelo CPqD, de uma nova geração de cartões indutivos codificados e com o desenvolvimento de sistemas de gestão de alto nível que permitiu a integração dos sistemas de supervisão dos aparelhos com os sistemas legados de suporte à operação.

Hoje no Brasil, devido às metas de universalização impostas pelo órgão regulador, o cidadão tem o conforto de encontrar um telefone público a cada 300 metros.

Graças às metas de desempenho operacional vigentes e ao consistente sistema de suporte operacional e de negócios voltados para telefonia de uso público, o cidadão tem grande probabilidade de encontrar um telefone em boas condições de uso.

Em função de seu baixo custo, o sistema de telefonia de uso público a cartão indutivo é, sem dúvidas, um instrumento de viabilidade para superar as barreiras da universalização do acesso aos serviços básicos de telefonia, principalmente para segmentos de população de baixa renda.

Pioneiro no mundo, o cartão telefônico que conquistou a simpatia da população brasileira, carrega a tecnologia indutiva desenvolvida pelo CPqD na década de 80. Desenvolvido para vencer os desafios domésticos - melhorar os serviços aos usuários, com baixo custo, fácil utilização e à prova de fraudes - enterrou definitivamente as fichas telefônicas, caras e poucos práticas. Atualmente sua utilização está contribuindo também para a universalização do acesso público à Internet.



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Tp, telefone público, telefonia pública, tecnologias de produto
 

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