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Sensoriamento de Drones por Radar: isso é possível?

Atualmente nenhum drone que possui algum tipo de sensoriamento para desvio de obstáculo tem  realmente a capacidade de enfrentar os desafios do espaço aéreo urbano, que é extremamente dinâmico e complexo. Existem alguns drones que se utilizam de sensores como câmeras para solucionar esse problema através do controle por visão ou por técnicas computacionais como o LIDAR (Light Detection And Ranging). No entanto, para um maior grau de confiabilidade em sensoriamento com o tipo de alcance e resolução necessário para um voo seguro, a melhor resposta deve ser fazer o que o avião tem feito a décadas: usar o radar.

Para ser justo, existem várias razões porque drones não tem usado até então o radar para sensoriamento. O menor radar que é adequado para incorporar um drone é o tipo que provavelmente se encontrará em carros que é bom para pequeno alcance em espaço 2D. No entanto,  para alcance de objetos distantes e/ou em espaço 3D já se torna uma tarefa quase impossível. O tipo de radar que poderia ser usado num drone é o tipo que os militares usam em seus jatos de combate: de longo alcance, alta resolução, e que pode escanear através de enormes campos de visão.

Recentemente uma startup anunciou que está trabalhando num novo tipo de radar que teria o mesmo tamanho de um smartphone com desempenho muito melhor que radares militares e custando um décimo do seu valor. Para construir o equipamento, a empresa contou com o material conhecido por metamaterial, que é uma material artificial especificamente construído para exibir propriedades não encontradas na natureza, tal como a propriedade de manipular radiação eletromagnética de outra maneira. O radar desenvolvido usa uma antena de metamaterial que muda sua estrutura física para direcionar seu feixe.

O uso desse material para manipulação de ondas eletromagnéticas já foi visto também em outras aplicações como em sistemas de comunicação e até para desenvolver uma capa invisível. Portanto os benefícios dessa nova tecnologia não se resume à aplicação em drones, podendo também ser usado em ROVs (Remotely Operated Vehicle), na indústria automotiva, entre outros. No entanto, para aplicações de drones os ganhos são imediatos ampliando ainda mais suas oportunidades de negócios e seu potencial de aplicações.

 

Até a próxima!

 

Sender Rocha

Sender Rocha dos Santos possui graduação em Engenharia Elétrica com ênfase em Sistemas Eletrônicos pela Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ) (2008) e mestrado em Controle, Automação e Sistemas Inteligentes pela UERJ (2015). Atualmente é engenheiro pesquisador do Centro de Pesquisa e Desenvolvimento em Telecomunicações (CPqD), Campinas. Tem experiência na área de Engenharia Elétrica, atuando principalmente em Sistema de Controle, Eletrônica de Potência, Microeletrônica, Sistemas Avançados de Armazenamento de Energia, Engenharia de Manutenção, Mineração de Dados, Inteligência Computational, Robótica, Machine Learning, Adaptive Filtering, Redes Neurais Artificiais e Computação Evolucionária. Atua em projetos de powertrain de veículos elétricos e algoritmos para sistemas embutidos. Desenvolve simulações baseadas em modelos para analise de desempenho de veículo elétrico e hibrido e para caracterização de sistema de bateria. Sender é membro do IEEE e é autor de artigos de congressos. Possui 01 Patente Internacional (PCT) e 03 patentes depositadas no Brasil.