Aplicações IoT despontam em várias áreas

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O Brasil possui dois grandes projetos em implantação, ambos de âmbito nacional, que se enquadram no conceito de Internet das Coisas.

O mais conhecido é o SINIAV – Sistema Nacional de Identificação Automática de Veículos, concebido pelos ministérios da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI) e das Cidades, que está sendo implantado sob a coordenação do Departamento Nacional de Trânsito (Denatran). Seu principal objetivo é permitir o rastreamento e controle de toda a frota de veículos em circulação no país.

O projeto envolve o uso de várias tecnologias integradas, com destaque para a identificação por radiofrequência (RFID). Cada veículo terá uma etiqueta RFID com sua identificação (placa, categoria, espécie, tipo), que será transmitida para o SINIAV por intermédio de leitores espalhados pelas cidades e rodovias – que captarão os sinais de rádio emitidos pela antena da etiqueta. Entre os benefícios do sistema, vale destacar a agilidade na identificação de veículos roubados, ou em situação ilegal, e o mapeamento do fluxo nas ruas e estradas (com a ajuda de redes de sensores), que poderá servir de base para ações voltadas para a melhoria do trânsito.

Outra iniciativa importante no país é o projeto Brasil-ID – Sistema Nacional de Identificação, Rastreamento e Autenticação de Mercadorias, que vem sendo implantado a partir de um acordo de cooperação técnica entre o MCTI, a Receita Federal e os estados brasileiros, por intermédio de suas secretarias de Fazenda. O objetivo é implantar uma infraestrutura tecnológica capaz de permitir o mapeamento de todo o ciclo de transporte – da saída do fabricante até o cliente final – das mercadorias produzidas e em circulação no Brasil.

O sistema, que também se baseia no uso de etiquetas RFID para a identificação dos produtos, deverá ajudar a combater a sonegação fiscal, a reduzir custos e a burocracia, a melhorar os processos logísticos e, ainda, contribuir para a diminuição do furto e roubo de mercadorias. Outra vantagem é que, como a etiqueta RFID pode ser colocada na fábrica, as informações de identificação do item podem ser utilizadas em outras aplicações, como o controle de produção e de insumos, e até facilitar a correta destinação dos resíduos sólidos, quando o produto for descartado (como é o caso de celulares e outros eletrônicos de consumo, por exemplo).

Essa, aliás, é uma aplicação da tecnologia RFID que já vem sendo empregada na indústria, de diversos setores, com a finalidade de aprimorar processos produtivos e melhorar a logística de transporte de mercadorias até os clientes. Ao identificar cada item com etiquetas RFID, essas empresas conseguem fazer seu rastreamento, não só durante as várias etapas de produção e entrega – o que dá mais agilidade e segurança a diversos processos, aumentando a produtividade e reduzindo custos – como também nos casos de recall, em que a detecção de falhas exige o retorno do produto à fábrica.

Na área de segurança do trabalho, um projeto inovador vem sendo desenvolvido na Coelce, distribuidora de energia elétrica do Ceará. O objetivo do projeto, que conta com a parceria do CPqD, é monitorar e garantir o uso de equipamentos de proteção individual (EPIs) pelos técnicos de campo da empresa. Para isso, cada EPI (luva, capacete, óculos de proteção, mangote, roupa antichama, botas, colete, cinto, etc.) possui uma etiqueta RFID com sua identificação. O cadastro de todos os EPIs, com informações sobre seu tempo de utilização, atividade à qual se destina e o funcionário ao qual pertence, fica armazenado em uma base de dados.

Quando o técnico recebe a ordem para executar determinado serviço, o sistema identifica os EPIs necessários para aquela atividade e envia o arquivo com essa lista para um leitor RFID portátil, utilizado pelas equipes de manutenção em campo. Por meio de radiofrequência, a leitora capta a identificação contida nas etiquetas RFID dos EPIs, compara com a lista de referência recebida e alerta os usuários e equipes de gestão da segurança do trabalho quando detectar a falta de algum EPI necessário à execução do serviço. Todas as informações sobre o uso desses equipamentos ficam disponíveis no sistema, o que também facilita o planejamento de recursos, de investimentos, o gerenciamento de equipes e o controle da vida útil do equipamento, entre outras coisas. Além de RFID, o projeto da Coelce usa outras tecnologias, como Bluetooth (para controlar o módulo leitor por meio de um smartphone) e GPRS (na integração do leitor com o sistema de gestão) – o que enquadra a aplicação no conceito de IoT.

Alguns hospitais hoje já utilizam aplicação semelhante, também baseada em RFID, para a identificação e localização de equipamentos, instrumentação e até dos próprios médicos. Nesse mesmo ambiente, a tecnologia RFID vem sendo empregada para dar maior controle e segurança à armazenagem e uso de medicamentos.

No transporte público, está em estudo o uso dessa tecnologia no controle de fluxo de passageiros e no gerenciamento dos itinerários de ônibus, visando melhorar a prestação desse serviço à população.

Muitas outras aplicações estão a caminho, em praticamente todas as áreas – indústria, varejo, logística e, principalmente, no setor de serviços. Afinal, os benefícios dessa integração de tecnologias, em aplicações de internet das coisas, são muitos e favorecem, especialmente, a qualidade de vida das pessoas.

Alberto Lucizani Pacifico é coordenador de projetos da Gerência de Soluções em Tecnologia Wireless do CPqD.