Estudo mostra baixo impacto no consumo de energia elétrica

A utilização em massa de veículos elétricos deverá ter um impacto pequeno no consumo de energia elétrica no Brasil. Essa foi uma das conclusões extraídas da primeira fase do projeto de mobilidade elétrica que vem sendo desenvolvido pela CPFL Energia, em parceria com o CPqD, com recursos do programa de P&D da Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel).

Com base nesse estudo, a CPFL estima que em 2030, quando a frota de veículos elétricos atingir entre 5 a 13 milhões de unidades, o uso dessa tecnologia deverá consumir entre 0,6% a 1,7% da carga de energia do SIN (Sistema Interligado Nacional) – percentuais insignificantes para o setor elétrico. Durante a primeira fase do projeto, seis veículos elétricos puros percorreram quase 17 mil quilômetros e consumiram 3.249 kWh de energia – consumo equivalente ao de cerca de 16 residências durante um mês. Esses veículos deixaram de emitir 2,3 toneladas de CO2 na atmosfera – o que equivale a retirar das ruas, durante um mês, aproximadamente 27 carros populares rodando 15 quilômetros por dia.

Na segunda fase do projeto, anunciada em outubro de 2014, a CPFL Energia pretende ampliar sua frota própria de veículos elétricos (de seis para 27) e também o número de eletropostos, de quatro para 21, até o final de 2015. Para ampliar o escopo dos estudos, alguns veículos elétricos serão colocados em diversas situações de uso, como em empresas e locadoras de automóveis, por exemplo – o que permitirá avaliar seu uso no dia a dia.

O CPqD atua como coordenador técnico desse projeto, além de realizar medições e análises da qualidade da energia, que darão subsídios ao estudo sobre o impacto do veículo elétrico na rede de distribuição. Suas atribuições também incluem a realização de estudos inovadores na área – por exemplo, sobre o uso dos veículos elétricos como fonte de geração distribuída e sobre a vida útil das baterias e seu reaproveitamento.

Essa, por sinal, é uma questão importante: o veículo elétrico utiliza a bateria até ela atingir 80% da sua capacidade inicial (na medida em que o carro envelhece, a bateria perde capacidade). Depois disso, ela já não é mais confiável para o veículo, mas pode ser reutilizada em outras aplicações, para aproveitar a quantidade de energia que ainda resta – e que, no caso da bateria de lítio, chega a até 60%. Assim, essa sobra de energia pode ter ainda um bom aproveitamento, por exemplo, como backup de luz de emergência ou mesmo como bateria de centrais telefônicas.

Raul Fernando Beck é engenheiro responsável da Área de Sistemas de Energia do CPqD;

Maria de Fátima N.C. Rosolem é pesquisadora da mesma área.