Evolução das baterias para veículos elétricos traz benefícios para outros setores

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O desenvolvimento de tecnologias de baterias para veículos elétricos proporcionará ganhos também para outros setores. Para os dispositivos portáteis, por exemplo, os avanços nessa área poderão ser aproveitados para aumentar a vida útil, a autonomia, a ciclabilidade e reduzir o tempo de recarga das baterias.

O segmento de energias renováveis também deverá ser beneficiado por esses desenvolvimentos. Afinal, como os sistemas trabalham com geração de energia intermitente (só há sol durante o dia, o vento tem rajadas e assim por diante), é preciso ter baterias para armazenar a energia produzida e que será utilizada posteriormente – em horários de pico de consumo, por exemplo. Além disso, a bateria tem um papel importante para suavizar a intermitência e manter a geração de energia mais constante, de modo a evitar grandes oscilações que possam causar a desestabilização da rede elétrica como um todo.

No caso de smart grids (redes elétricas inteligentes), a bateria pode ter um papel importante na criação de microrredes para abastecer áreas específicas durante a falta de energia elétrica comercial. Isso permitiria, por exemplo, isolar uma área não afetada por um problema que possa causar falta de energia e manter a geração no local – com o uso da bateria, seria possível manter aquela região alimentada.

Nesses casos, podem ser utilizadas baterias de diferentes tecnologias, sendo que, atualmente, as mais usadas são as de sódio enxofre. Mas o interesse no uso de baterias de lítio, de sódio cloreto de níquel, de fluxo de vanádio e das evoluções das chumbo-ácidas tem aumentado e hoje já existem diversos projetos e experiências com essas tecnologias ao redor do mundo.

Um ponto importante a ser destacado é que a bateria do veículo elétrico, ao fim da sua vida útil nessa aplicação, ainda pode ser aproveitada em outras áreas, como sistemas de backup em subestações de energia elétrica ou centrais de telecomunicações. Pode, também, ser utilizada em aplicação estacionária, operando com fontes intermitentes de geração de energia, para estabilizar frequência e tensão da rede elétrica. Isso porque, no veículo elétrico, a bateria precisa fornecer altas taxas de corrente, para atender às necessidades durante as acelerações, em regime contínuo. Já nessas outras aplicações, em geral, a bateria precisa fornecer baixa quantidade de corrente, porém por um longo período.

Vitor Torquato Arioli é engenheiro eletricista e atua na Área de Sistemas de Energia do CPqD