CPqD

Internet das Coisas (IoT)

Promove uma atuação mais ágil e inteligente, criando novas formas de gerar valor ao negócio.

A cidade como plataforma digital: um caminho para mudar a realidade dos municípios brasileiros

Por Rodney Nascimento e Maurício Casotti

A expansão rápida e contínua da população urbana, em um planeta que parece cada vez menor, está potencializando os desafios sociais, econômicos e ambientais nas cidades ao redor do mundo. No Brasil, não é diferente, a concentração populacional nas cidades é uma realidade que deve agravar os desafios dos gestores públicos no que diz respeito à saúde e ao bem-estar da população, à urbanização inclusiva e sustentável, à educação, cultura, segurança pública, mobilidade urbana e ao meio ambiente.
A deterioração das contas públicas municipais também é um fator crítico no cenário atual, tendo como pano de fundo a grave crise fiscal que assola o Brasil. Nesse contexto, o desafio se traduz em criar condições para estimular o desenvolvimento socioeconômico e reduzir a alta dependência das verbas da União.
Outra perspectiva importante a ser considerada é o rápido crescimento da sociedade conectada e o seu potencial de transformar os hábitos e as relações entre as pessoas e as instituições, e que deve ser tratada pelos gestores públicos tanto como desafio quanto como oportunidade.

A sociedade conectada como driver de transformação

Destacam-se entre as mudanças de comportamento já percebidas nos cidadãos conectados um ritmo muito mais intenso de consciência coletiva (acesso e compartilhamento de informação) e novos patamares de expectativa de qualidade, agilidade e transparência, além de novas possibilidades de interação e experiência.
Na era da conectividade onipresente, em que pessoas e “coisas” permanecem conectadas a todo momento e em qualquer lugar, o futuro das cidades depende cada vez mais da capacidade de utilizar os recursos de maneira estratégica.
O modelo convencional ao qual estamos acostumados e que define as cidades como lugares geofísicos vem sofrendo grande pressão para evoluir. De um modo geral, os cidadãos agora vivem em ambientes hiperconectados, interagindo com dispositivos inteligentes e informações em tempo real e participando de diferentes formas de colaboração massiva (crowdsourcing).
Nesse contexto, a experiência é distribuída e não centralizada, já a governança é resultado da habilidade de coletar e gerir informações que visam transformar o ambiente econômico e social da cidade. Em decorrência das restrições de orçamento e das necessidades públicas crescentes, as cidades devem começar a pensar sobre como capitalizar recursos ou valores (soluções para os desafios do município) provenientes de seu ecossistema local.
Entre os benefícios esperados a partir desse ambiente hiperconectado, está a possibilidade da aplicação do conceito de Internet das Coisas (ou Internet of Things – IoT, em inglês), visando à melhoria dos serviços públicos prestados à população e a maior transparência e eficiência da administração. Outra perspectiva importante sobre a IoT é a promoção da inovação aberta como elemento catalisador do desenvolvimento socioeconômico para todo o ecossistema local.

O ecossistema provendo inovação e geração de valor

O ecossistema do município é composto por pessoas, empresas e agentes públicos, que estabelecem relações entre si na execução de suas atividades. Esse ecossistema pode ser fortalecido por meio de cinco perspectivas, sendo elas:

• Foco na jornada do cidadão: o acesso à internet por meio dos smartphones permite criar novas experiências e formas de comunicar e de engajar os cidadãos, além de oferecer condições para incentivar o empreendedorismo local na criação e oferta de novos produtos e serviços que ofereçam maior conveniência e qualidade de vida.

• Ecossistema como direcionador para o equilíbrio social e econômico: cada cidade deve compor um ecossistema em torno dela. É natural que isso aconteça em sinergia com a vocação da localidade, seja ela agricultura, turismo, tecnologia, entre outras. O governo local precisa criar condições favoráveis para o estabelecimento de um ecossistema que reforce os seus diferenciais, atraindo empresas, gerando empregos, retendo talentos e fortalecendo a economia.

• As demandas e as ofertas são fluidas: o ambiente local, dessa forma, tende a se tornar sustentável.

• Os dados são a nova moeda: o combustível que movimenta a economia digital são os dados. As cidades coletam uma enormidade de dados que, se bem tratados, podem direcionar melhor os investimentos em infraestrutura e serviços públicos, atrair capital privado e aquecer a economia local.

• As redes sociais regulam a reputação: com a popularização dos smartphones e a crescente adoção das redes sociais, eventos que antes ficavam isolados, hoje são divulgados de forma ampla e instantânea, afetando a popularidade e a percepção de eficácia dos gestores municipais. Trata-se de um novo controle de qualidade social que, naturalmente, vem ganhando maior relevância que as tradicionais pesquisas de opinião e popularidade.

A cidade como plataforma digital

A confluência de grandes mudanças envolvendo pessoas, dados, infraestrutura e tecnologia estão provendo novas capacidades para as cidades se tornarem inteligentes. Assim, a cidade alcança a capacidade de realizar a coleta, a integração e a análise de dados de diferentes origens e formatos para subsidiar as estratégias do município, pautadas no bem-estar dos cidadãos, na sustentabilidade e no desenvolvimento local.

Nessa jornada de transformação digital das cidades, a Internet das Coisas vem sendo protagonista, ao contribuir para desfazer os silos de informação e integrar as pessoas, as “coisas” e os serviços, possibilitando a coleta de dados em tempo real para enriquecer e agilizar o processo de análise e tomada de decisão.

Já em um segundo estágio de transformação, as “Cidades Inteligentes” tendem a aproveitar os avanços conquistados para compartilhar com o ecossistema os dados categorizados como “abertos”, visando estimular a inovação e a geração de valor, seja por meio da criação de novos serviços ou pela composição com outros dados e informações.

Os dados abertos tornam as “Cidades Inteligentes” mais dinâmicas e flexíveis, tanto para promover a cooperação transetorial no âmbito da governança municipal, quanto para engajar os atores locais (empresas, startups, colégios técnicos e universidades) e compor um ecossistema de inovação aberta, o que caracteriza a “cidade como uma plataforma digital”.

Vale destacar um caso de sucesso da cidade de Manchester (UK), onde uma pequena equipe utilizou dados disponíveis publicamente para enfrentar um desafio de mobilidade urbana criando um aplicativo – o Tramchester. Desenvolvido em seis semanas, a aplicação móvel oferece ao cidadão a melhor rota para um deslocamento dentro da cidade, utilizando a malha de bondes de Manchester.

Dessa forma, o conceito de cidade como plataforma preconiza que o município seja um facilitador para a composição e o fortalecimento do ecossistema local. Trata-se do mecanismo de orquestração das relações que se estabelecem, promovendo e facilitando o fluxo contínuo entre os produtores e os consumidores de informação, valor e serviços.

Conclusão

À medida que a população mundial se expande e as cidades se tornam mais densas, também crescem as iniciativas visando tornar as cidades inteligentes e capazes de lidar com os desafios associados à sua realidade. Assim, os municípios reconhecidos como “Cidade Inteligente” devem ter condições de apresentar evidências sobre os avanços conquistados, a partir do uso da tecnologia, na eficiência da gestão pública (organização, controle, serviços, gastos e tributação), na melhora do consumo de recursos (energia elétrica, água e resíduos), na criação de novas formas de comunicar e de engajar os seus cidadãos e no desenvolvimento econômico local.

No entanto, a tecnologia por si só não resolverá todos os desafios enfrentados pelos centros urbanos. É imprescindível a adoção de uma nova abordagem, tornando a cidade uma plataforma capaz de facilitar e promover o compartilhamento de dados e a colaboração entre os diferentes atores do ecossistema local, visando à inovação aberta, centrada no cidadão.

As cidades estão cada vez mais conscientes de que precisam ser flexíveis para responder ao cenário atual e se preparar para um futuro ainda mais desafiador. Para isso, será fundamental que elas priorizem os padrões abertos e tenham a interoperabilidade como um princípio orientador em cada projeto e em todas as etapas de sua jornada de transformação digital.

Enfim, a partir da adoção combinada de tecnologias (dispositivos e sensores, conectividade, computação em nuvem, analytics, geolocalização e redes sociais) e a abordagem de plataforma, será possível criar oportunidades para desenvolver o ambiente econômico e social da cidade, trazendo melhoria na qualidade de vida dos cidadãos, empregos de maior qualificação e recursos financeiros à cidade.

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