EAD_Notícia

O suporte tecnológico do CPqD ao processo de liberação da faixa de 700 MHz no país

O processo de desligamento do sinal analógico de TV, que vem liberando a faixa de 700 MHz para o serviço de banda larga 4G (LTE) em todo o país, é resultado de um projeto complexo e desafiador, conduzido com sucesso pela Entidade Administradora da Digitalização de Canais de TV e RTV (EAD) Seja Digital. E o CPqD tem participação fundamental nesse projeto, como fonte de sustentação tecnológica de todo o processo, atuando como parceiro da EAD – e, antes dela, do próprio estado brasileiro.

O trabalho do CPqD começou em 2011, com os primeiros estudos sobre a evolução da digitalização da TV e como utilizar o dividendo digital para atender à demanda por banda larga móvel no país, com melhor aproveitamento do espectro. Os estudos forneceram subsídios ao leilão da faixa de 700 MHz, realizado pela Anatel, e à própria criação da EAD, em março de 2015, com a missão de assegurar o acesso à TV digital por toda a população brasileira. “O papel da EAD tem sido essencial para garantir a qualidade do serviço, a distribuição dos conversores para a população de baixa renda e a divulgação e orientação sobre o processo de implantação da TV digital no país”, afirma Aristides Ferreira, gerente de Engenharia de Redes e Sistemas da Diretoria de Redes Convergentes (DRC) do CPqD.

Ele destaca o enorme desafio representado por esse projeto – que envolveu também questões regulatórias, especificação, desenvolvimento e testes de conformidade de equipamentos, remanejamento de canais de TV e, ainda, análises sobre possíveis interferências entre faixas e sistemas. “Como parceiro da EAD, o CPqD deu suporte às várias etapas desse processo, utilizando sua experiência e conhecimento sobre espectro e tecnologias de radiofrequência”, acrescenta Ferreira.

Marcus Manhães, especialista em radiofrequências da DRC, enfatiza que a convivência do serviço LTE em 700 MHz com a TV analógica, ainda em funcionamento em municípios mais distantes, em outra faixa do espectro, é um dos desafios desse processo de migração. “Esse foi o foco de um estudo inédito realizado no CPqD, uma vez que não havia referência internacional sobre o assunto”, conta Manhães.

Além disso, o CPqD realizou análises sobre interferências da TV digital no LTE – e vice-versa -, por meio de testes em laboratório e também de visitas a residências, com base nos quais foram definidas estratégias de mitigação. Realizou ainda, estudos de viabilidade para a implantação do LTE em cada município brasileiro, que serviram de base para a liberação do uso da faixa de 700 MHz para esse serviço. Participou também da especificação do equipamento conversor de TV digital-analógica e dos testes de qualidade dos novos receptores, antenas e filtros.

Ao todo, o trabalho gerou mais de 500 relatórios e envolveu 20 profissionais do CPqD. “Para a EAD, os principais resultados dessa parceria são a qualidade e a confiabilidade do serviço, além da redução de custos do projeto”, afirma Marcus Manhães.

Para o CPqD, o projeto – que hoje beneficia mais de 10 milhões de pessoas – reforçou seu conhecimento sobre o gerenciamento do espectro de radiofrequências e seu papel de apoio ao estado na definição de políticas públicas. “O trabalho beneficia também radiodifusores, operadoras móveis, fabricantes de equipamentos e, principalmente, os municípios de todo o Brasil. Afinal, os programas da TV aberta representam a principal forma de lazer para milhares de brasileiros”, acrescenta Manhães.