CITiS discute soluções e estratégias para a transformação digital das cidades brasileiras

Combinar recursos de tecnologia e inteligência com o objetivo de levar ao cidadão uma qualidade de vida melhor, seja em termos de saúde, educação, segurança, mobilidade ou, simplesmente, de facilidade de acesso a informações do seu interesse. Esse é o conceito básico de cidades inteligentes, no entender das autoridades e especialistas que participaram da segunda edição do CITiS – Cidades Inteligentes através da Transformação Digital e Social, realizado pelo CPqD, na quarta-feira, 05/06.

Na palestra de abertura do encontro, Wilson Wellisch, diretor do Departamento de Inclusão Digital do Ministério da Ciência, Tecnologia, Inovações e Comunicações (MCTIC), falou sobre esse conceito ao abordar o tema Políticas Públicas para Cidades Inteligentes. “A implantação do conceito de smart city requer o envolvimento do poder público municipal, da academia, da indústria, do setor privado e também do cidadão”, disse.

Wellisch observou que já existem diversas soluções inteligentes disponíveis para as cidades, mas que a implementação de um programa de governo nessa área, para ter sucesso, precisa seguir algumas etapas fundamentais. “No programa do MCTIC, estamos usando como base o guia da União Internacional de Telecomunicações sobre Cidades Inteligentes Sustentáveis, que estabelece cinco níveis de maturidade: Planejamento, Alinhamento, Desenvolvimento, Integração e Otimização”, explicou. A primeira etapa, segundo ele, será avaliar o nível em que se encontra a cidade interessada em implantar o programa. “Para as que não têm a infraestrutura de rede metropolitana, será preciso começar pelo básico; para quem já tem, vamos prover backhaul, gestão, internet e soluções”, acrescentou. A previsão do MCTIC, de acordo com o diretor, é fazer a implantação do programa em 78 cidades em 2019.

No painel Os Desafios da Transformação Digital das Cidades Brasileiras, José Sampaio Gontijo, diretor de Ciência, Tecnologia e Inovação Digital na Secretaria de Empreendedorismo e Inovação do MCTIC, destacou o profundo trabalho de avaliação realizado com o Estudo Nacional de Internet das Coisas – conduzido pelo consórcio  formado pelo CPqD, McKinsey e Pereira Neto/Macedo Advogados, sob coordenação do Ministério e do BNDES -, que definiu o ambiente de cidades como uma das quatro prioridades para os investimentos em IoT no país. Eduardo Kaplan Barbosa, líder em Cidades Inteligentes do BNDES, apresentou alguns instrumentos de apoio lançados pelo banco para atender às necessidades de transformação digital no país. Entre eles, mencionou a chamada pública que selecionou projetos-pilotos de IoT em várias áreas – entre elas, cidades inteligentes. “A intenção é promover experimentos em ambientes reais, com o objetivo de avaliar os desafios e massificar a adoção de soluções IoT pelos demais municípios do país”, explicou.

Já André von Zuben, secretário de Desenvolvimento Econômico, Social e Turismo da Prefeitura de Campinas, destacou alguns desafios que as cidades precisam superar para se tornarem inteligentes. “Uma cidade inteligente precisa ter interoperabilidade, precisa de infraestrutura de telecomunicações, porque o volume de dados é muito grande, e precisa de integração dos bancos de dados”, disse. Ele citou a parceria com o CPqD e a adoção da plataforma aberta dojot como fatores fundamentais para o projeto Campinas Living Lab,  que vem transformando a cidade em um laboratório vivo para o teste de soluções IoT em ambiente real. “A plataforma dojot cria uma camada horizontal que permite a conexão e a comunicação entre as aplicações, de áreas diferentes.” O secretário ressaltou ainda a importância do planejamento e da perenidade dos projetos implantados nas cidades. Como exemplo, mencionou o Plano Estratégico de Cidade Inteligente de Campinas, construído com a participação de mais de cem pessoas de vários setores e que cobre o período de dez anos. “Um conselho é o guardião do Plano, o que evita que o que já foi feito se perca quando muda a gestão municipal”, concluiu.

No painel Pilotos IoT no Ambiente Cidades, foram apresentados alguns dos projetos selecionados na chamada pública do BNDES nessa área. Maurício Casotti, gerente de Desenvolvimento de Negócios em Cidades Inteligentes do CPqD, detalhou o projeto Campinas Living Lab, que prevê a realização de dois pilotos com vários casos de uso. O primeiro piloto tem foco no ambiente de segurança pública e envolve monitoramento por visão computacional (a partir de câmeras com capacidade de reconhecimento facial), a criação de um portal de monitoramento de veículos e placas e, ainda, a medição e predição de microclima (com o uso de estações meteorológicas compactas), com a possibilidade de emissão de alertas para a população. O outro piloto será desenvolvido no ambiente de iluminação pública. “A ideia é que a rede de iluminação pública habilite a implantação de soluções IoT de forma ampla na cidade. Afinal, o que faz uma cidade inteligente é a coleta e integração dos dados com inteligência, visando atender às expectativas de empresas, governo e cidadãos”, afirmou Casotti.