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Estudo Nacional de IoT: CPQD participa de apresentações de resultados no Futurecom

O lançamento do Plano de Ação do Estudo de Internet das Coisas – que subsidiará a elaboração do Plano Nacional de IoT – foi um dos destaques do Futurecom 2017, que se realizou entre os dias 02 e 05 de outubro, em São Paulo. Esse plano é um dos resultados do Estudo Nacional de IoT, que vem sendo conduzido pelo consórcio formado pela consultoria McKinsey, o CPQD e o escritório Pereira Neto/Macedo Advogados, sob a coordenação do Ministério da Ciência, Tecnologia, Inovações e Comunicações (MCTIC) e do BNDES.

Na terça-feira (03/09), Carlos Alexandre Jorge da Costa, diretor do BNDES, e Maximiliano Martinhão, secretário de Política de Informática do MCTIC, abriram uma das sessões do congresso com a apresentação das principais conclusões do Estudo Nacional de IoT. A partir dessas conclusões, anunciaram as linhas gerais do Plano de Ação do Estudo de Internet das Coisas, que definiu como prioridades os segmentos rural, cidades, saúde e indústrias.

Nesse mesmo dia, o CPQD participou de um painel em que foram apresentadas aplicações de IoT nesses quatro ambientes priorizados pelo Estudo. Rafael Moreno, gerente de Tecnologias de Comunicação Sem Fio do CPQD, apresentou o projeto AgroTICs, que vem sendo desenvolvido em parceria com o Grupo São Martinho – um dos maiores do setor sucroalcooleiro do Brasil -, com o apoio do BNDES, e que deverá contribuir para a implantação do conceito de Internet das Coisas (IoT) no setor de agronegócios. O projeto envolve o desenvolvimento e implantação de de uma infraestrutura de rede móvel banda larga (LTE) para uso próprio – e exclusivo – do Grupo São Martinho, que utiliza uma faixa de frequência inferior a 1 GHz destinada ao Serviço Limitado Privado (SLP) pela Anatel. Envolve também o desenvolvimento de terminais inteligentes veiculares (TIVs), que estão sendo instalados em colhedoras, tratores e caminhões que fazem o transporte da cana, e ainda de aplicações específicas – com o suporte da plataforma aberta dojot.

Na quarta-feira (04/10), representantes do MCTIC, do BNDES e do consórcio McKinsey-CPQD e Pereira Neto/Macedo Advogados apresentaram detalhes e as principais ideias do Plano de Ação do Estudo de Internet das Coisas, lançado no dia anterior. Ricardo Rivera, do BNDES, revelou os impactos econômicos de IoT nos quatro ambientes definidos como prioritários pelo Estudo de IoT. Ele lembrou que, conforme a estimativa do Estudo revelada por Maximiliano Martinhão na abertura do congresso do Futurecom, o impacto da tecnologia para o Brasil, no total, deverá atingir de US$ 50 a US$ 200 bilhões em 2025.

“O ambiente de mais fácil implantação é o rural, pois verificamos que as soluções de IoT neste segmento já estão crescendo muito rapidamente”, destacou Rivera no painel. O Estudo calculou um impacto de US$ 5 bilhões a US$ 21 bilhões em 2025, com a adoção de IoT nessa área.

O Plano Nacional de Internet das Coisas definiu 76 iniciativas para guiar políticas públicas e ações para IoT no período 2018-2022. Elas são divididas em ações estruturantes, medidas e elementos catalizadores. As ações estruturantes, que somam 17 iniciativas, são as principais. Elas têm o maior impacto e viabilidade de implementação, visto que há alinhamento entre os órgãos responsáveis.

Além dos ambientes priorizados, as iniciativas se dividem em quatro temas transversais, que envolvem fomento à inovação, promoção de mudanças regulatórias, aperfeiçoamento da conectividade do país e medidas para qualificação do capital humano. Esses temas verticais foram detalhados durante a Futurecom pelos membros do consórcio que elabora o estudo técnico.

Vinícius Garcia de Oliveira, coordenador do Estudo de IoT no CPQD, abordou questões referentes à conectividade e interoperabilidade. Ele reconheceu que a infraestrutura no Brasil traz desafios ao avanço das soluções de IoT e lembrou que o modelo regulatório vigente privilegia a cobertura de telecomunicações em áreas altamente povoadas. Vinícius enfatizou que é essencial ter conectividade no campo para que se alcance o impacto potencial sobre setores como o agronegócio, que colaboram para o progresso da economia como um todo.

O especialista do CPQD apontou três objetivos que constam do Estudo para abordar tais questões: a articulação do tema em políticas públicas para ampliação de soluções e infraestrutura para conectividade, o aumento da oferta de redes de comunicação e o incentivo e a promoção da interoperabilidade e da padronização de redes. “Não acreditamos que a política pública tenha de forçar a adoção de padrões. O que elas podem é incentivar determinados padrões em detrimento de outros, por meio, por exemplo, de compras governamentais e linhas de financiamento mais atrativas”, explicou.