Laboratório do CPQD consegue dobrar capacidade de transmissão dos sistemas a fibra óptica

Uso de nova técnica de modulação, durante teste de campo, permitiu aumentar a eficiência espectral do canal óptico

Mais uma inovação do CPQD – nesse caso, do laboratório de comunicações ópticas – deverá colocar o Brasil em um patamar mais avançado de desenvolvimento de uma nova geração de sistemas ópticos voltados para aplicações de banda larga. Utilizando uma técnica de modulação nova nessa área, a equipe do CPQD conseguiu dobrar a capacidade de transmissão da rede de fibra óptica, durante um teste de campo entre Campinas e Jundiaí (ida e volta), num trecho de 138 quilômetros no total.

“Foi a primeira vez que esse formato de modulação, que permite o melhor uso do espectro, foi usado no país em uma transmissão real por uma rede óptica”, destaca Julio César Rodrigues de Oliveira, gerente de Sistemas Ópticos do CPQD. “Com isso, conseguimos transmitir duas vezes mais informações, pela mesma fibra, do que na técnica tradicional”, acrescenta.

Para realizar o teste de campo, a equipe do laboratório do CPQD utilizou a Rede Experimental de Alta Capacidade que usa fibras ópticas da Telefônica/Vivo. Segundo a pesquisadora Carolina Franciscangelis, a nova técnica de modulação (chamada 16QAM) permitiu atingir a velocidade de 1 Terabit por segundo (Tb/s) em um único canal ultradenso. “Para compor esse canal, foram geradas cinco portadoras, cada uma delas com taxa de transmissão de 200 Gb/s e formato de modulação 16QAM”, afirma. “A grande vantagem desse formato é a maior eficiência que proporciona ao canal, o que resulta em melhor aproveitamento do espectro”, explica a pesquisadora do CPQD.

O novo teste de campo, realizado no final de janeiro, faz parte do desenvolvimento do projeto 100 GETH (Gigabit Ethernet), que vem sendo conduzido pelo CPQD com o apoio do FUNTTEL (Fundo para o Desenvolvimento Tecnológico das Telecomunicações), do Ministério das Comunicações, e da Finep – Agência Brasileira da Inovação. As tecnologias geradas dentro desse projeto são transferidas para a Padtec, empresa brasileira responsável pela industrialização e comercialização dos produtos no mercado global.