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14 de setembro de 2026

Um sonho que trouxe inovação e soberania tecnológica para o Brasil

Há 50 anos, quando o CPQD nasceu, uma semente foi plantada. Criado como Centro de Pesquisa e Desenvolvimento da Telebrás, em 31 de agosto de 1976, o CPQD teve sua origem na preocupação do governo, na época, em substituir importações, reduzindo a dependência do Brasil de tecnologias estrangeiras, especialmente no setor de telecomunicações.

Naquele momento, havia a semente de um sonho e um time apaixonado com a missão de contribuir para o desenvolvimento, o progresso e o bem-estar da sociedade, fazendo com que a inovação tecnológica não apenas germinasse, mas se expandisse por todo o país. A cada década, diferentes gerações de colaboradores, líderes e conselheiros transformaram em realidade sua visão de futuro, conhecimentos e experiência, sempre buscando solucionar os desafios da sociedade, do mercado e do Estado, de forma ética, responsável, diversa e sustentável.

Ao longo dos anos, o CPQD dedicou-se à construção da infraestrutura tecnológica brasileira. Entre as inovações de ponta que ajudaram a construir os alicerces tecnológicos da atualidade, destacam-se as centrais de comutação da família Trópico, que tiveram um papel fundamental para a expansão e barateamento do acesso aos serviços de telefonia. O cartão indutivo para orelhões, lançado na ECO-92 – Conferência Mundial sobre Meio Ambiente e Desenvolvimento -, foi outra contribuição importante do CPQD que também facilitou a comunicação telefônica entre as pessoas, tanto nos grandes centros urbanos como nas pequenas cidades e regiões rurais.

Com a contribuição decisiva do CPQD, o Brasil entrou na lista dos pioneiros no domínio da tecnologia de comunicação óptica, o que significou a modernização das redes para suportar o tráfego de dados em alta capacidade e velocidade, bem como para atender às demandas crescentes de conectividade do país.

Na década de 1990, com a privatização do setor de telecomunicações, o CPQD tornou-se uma organização privada focada em Tecnologias da Informação e Comunicação (TICs), com um modelo de negócio voltado ao desenvolvimento de softwares de suporte a operações e negócios de missão crítica. A partir de então e durante as décadas seguintes, sua atuação no mercado foi intensificada, com a oferta de soluções para clientes públicos e privados, de diferentes setores – como indústria, varejo, agronegócio, energia, saúde e defesa, além de telecomunicações.

A privatização do setor também impulsionou a veia empreendedora do CPQD. Com a abertura de mercado para a livre concorrência, a organização buscou novos mercados e modelos de negócios para manter sua sustentabilidade. Como reflexo desse movimento, em 1999 foram criadas três empresas derivadas do CPQD: Padtec, para produzir equipamentos de comunicação óptica; Trópico, para dar continuidade à fabricação e comercialização da central de comutação desenvolvida, e a ClearTech, especializada em soluções de clearing de interconexão entre operadoras, que chegou a processar bilhões de chamadas telefônicas por mês. Em 2001, com o objetivo de levar o conhecimento e o modelo de inovação criado pelo CPQD para outras partes do país – em particular a região Nordeste -, a organização fundou o Instituto Atlântico, em parceria com a Padtec.

A convicção sobre a importância da inovação colaborativa e compartilhada levou, também, à criação do Pólis de Tecnologia, nos anos 2000, como um condomínio empresarial com vocação para parque tecnológico. Idealizado pelo CPQD e localizado em sua própria área em Campinas, o Pólis concentra empresas de alto valor tecnológico, potencializando a vocação inovadora da cidade.

Também está instalada no Pólis uma das maiores e mais avançadas infraestruturas laboratoriais da América Latina, construída pelo CPQD com o objetivo assegurar a qualidade, o bom funcionamento e a interoperabilidade das tecnologias que chegavam ao mercado. Com esse foco, a organização trouxe para o Brasil diversas inovações, como os primeiros laboratórios de RFID (identificação por radiofrequência), de ensaios em aparelhos e equipamentos 4G, de SAR (Taxa de Absorção Específica) e de baterias de celulares. Essa infraestrutura tornou a organização referência nacional e internacional em ensaios, certificação e avaliação de conformidade – o que contribui para o bem-estar e a integridade física dos usuários.

Mas o avanço tecnológico protagonizado pelo CPQD vai além. Com uma visão de longo prazo, a organização antecipa tendências, pesquisando e desenvolvendo tecnologias que, ao longo dos anos, têm se consolidado como pilares da transformação digital do país. Assim foi com o desenvolvimento do Sistema Brasileiro de TV Digital – que contou com a participação do CPQD -, com a elaboração do Plano Nacional de Internet das Coisas e assim tem sido com a evolução das tecnologias de comunicação móvel, do 2G ao 5G e ao futuro 6G.

Testemunhamos, no momento, uma nova onda tecnológica que promete modificar a economia, as relações sociais e de trabalho, bem como a forma como enxergamos o mundo. Nesse cenário, o CPQD consolidou-se como protagonista em conectividade, em inteligência artificial, em segurança e privacidade, além de se posicionar como um dos principais centros de inovação da América Latina e do mundo. Hoje, a organização mantém sua atuação nas fronteiras tecnológicas que irão moldar as próximas décadas. Entre elas, merecem destaque áreas como tecnologias quânticas e de segurança cibernética, bem como pesquisas destinadas a viabilizar transmissões de volumes altíssimos de dados pela fibra óptica, para uma internet cada vez mais veloz.

Como parceiro do Estado – característica que manteve no decorrer de toda sua trajetória -, o CPQD participa de iniciativas inovadoras destinadas a levar conectividade e aplicações avançadas a regiões remotas e isoladas do país, beneficiando escolas públicas, comunidades indígenas, pequenos produtores rurais e pacientes carentes de atendimento médico especializado. Em cada uma dessas frentes, a tecnologia deixou de ser apenas infraestrutura para se tornar um caminho de desenvolvimento e inclusão.

Ciente de que a soberania não se constrói de forma isolada, o CPQD atua para fortalecer diferentes ecossistemas. Nesse contexto estão inseridos alguns projetos estratégicos desenvolvidos em parceria com o Estado. É o caso do Projeto INSPIRE, iniciado em 2025 e considerado uma das maiores iniciativas do país relacionadas à inteligência artificial e à integração de dados, com foco na oferta de serviços públicos mais eficientes, personalizados e acessíveis para a população – ao mesmo tempo em que fortalece a soberania e a confiança digital brasileira.

A preocupação com a sustentabilidade – e a preservação do planeta – é outro fator importante que orienta várias iniciativas e projetos de desenvolvimento conduzidos no CPQD. Frentes de atuação relacionadas à mobilidade elétrica, energias renováveis e soluções para redes inteligentes de energia reforçam o trabalho do CPQD nesse tema, que vai além de projetos estruturantes – como o de data centers sustentáveis, em desenvolvimento atualmente.

O Hub Techoá, inaugurado em 2025, materializa essa visão. Concebido para reunir empresas, universidades, startups, pesquisadores e instituições públicas, a iniciativa tem como propósito desenvolver, de forma colaborativa, soluções capazes de responder aos desafios ambientais, sociais e econômicos do presente e do futuro, possibilitando ainda negócios mais sustentáveis para todo o ecossistema, com inovações capazes de preservar a fauna, flora e os recursos naturais.

Em seus 50 anos, o CPQD viu nascer e evoluir gerações inteiras de equipamentos, linguagens, redes e modelos de negócios. Nesse período, a organização precisou se reinventar diversas vezes. Mas o que deu respaldo à sua atuação e evolução contínua, em meio a tantas mudanças, foi a cultura capaz de amparar o crescimento sustentável do CPQD, preservar sua essência e, ao mesmo tempo, permitir o protagonismo no desenvolvimento de soluções e inovações.

Para viabilizar esse progresso, a formação e o desenvolvimento de pessoas teve um papel essencial. Desde que foi criado, o CPQD investe continuamente na capacitação de pesquisadores, engenheiros, analistas, estagiários, especialistas e profissionais qualificados, que ajudam a transformar não só a própria organização como também empresas, operadoras, instituições públicas, o mercado e todo o ecossistema de inovação brasileiro.

A semente plantada há 50 anos germinou, criou raízes, deu frutos e continua florescendo. É evidente que novas necessidades continuarão surgindo, assim como a tecnologia seguirá evoluindo e a inovação trará novos avanços. Mas, sejam quais forem os desafios, sempre haverá pessoas dispostas a transformá-los em solução, abrindo as portas para a realização de novos sonhos.

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