O impacto da IA na Saúde
Os desafios da saúde digital e o impacto da Inteligência Artificial nessa área foram tema de um dos painéis organizados pelo CPQD, em seu espaço no Campinas Innovation Week 2026. Realizado em parceria com a Unimed Campinas, o painel “Da eficiência operacional ao cuidado clínico: O impacto da IA na saúde” mostrou como o uso de tecnologias inovadoras pode agregar valor à jornada de usuários de serviços de saúde, melhorando a experiência, o diagnóstico e a governança.
“A IA é uma tecnologia revolucionária sob vários aspectos”, afirmou o Dr. Gerson Muraro Laurito, presidente da Unimed Campinas. “Na área de saúde, o gestor tem como papel trazer a IA para melhorar não só a gestão e os processos administrativos, mas também o diagnóstico e a experiência de beneficiários e pacientes”, acrescentou.
Eduardo Barros, CEO e cofundador da startup brasileira WorkAI, apresentou um projeto inovador, desenvolvido em parceria com a Fundação Unimed, que utiliza IA para devolver a pessoas acometidas por doenças neurovegetativas que afetam os movimentos, mas mantêm as funções cognitivas preservadas, a capacidade de realizar atividades profissionais – como ministrar aulas ou palestras, por exemplo.
Batizado de ExtensIA, o projeto teve sua primeira aplicação em uma médica psiquiatra diagnosticada com ELA (Esclerose Lateral Amiotrófica) há cerca de 3 anos, que perdeu completamente os movimentos e, com o apoio da tecnologia, voltou às suas atividades profissionais. Para isso, foi desenvolvido um agente clínico assistivo, utilizando o conhecimento da própria médica, acumulado ao longo dos anos, para treinar os modelos de IA. Também foi criado um avatar digital, que reproduz a voz e a imagem da médica, para que ela possa continuar compartilhando seu conhecimento em palestras e aulas – utilizando o movimento dos olhos para os comandos.
Para Eduardo Pugliesi, especialista em IA do CPQD que participou do painel, a possibilidade de compartilhar uma base de conhecimento reunindo a experiência de vários especialistas é um dos principais impactos que a Inteligência Artificial pode trazer para a área de saúde. “Com essa base de conhecimento compartilhada, é possível ter um diagnóstico mais assertivo, pois o treinamento do modelo utiliza análises e diagnósticos de vários especialistas, além de exames já realizados. E, com o avanço da medicina a distância, essa base compartilhada permitirá atender um número maior de pessoas, até com cirurgias remotas, especialmente em áreas mais distantes que não dispõem de médicos especialistas”, enfatizou.
O painel também contou com a participação do Dr. Fábio Leite Gastal, presidente do Conselho de Administração da Organização Nacional de Acreditação (ONA), diretor acadêmico da Faculdade Unimed e superintendente de Novos Negócios da Seguros Unimed; da Dra. Maria Fernanda Haddad, assessora em Inovação, novas tecnologias e saúde digital da Unimed Campinas, e do médico Rômulo Farias, CEO e fundador da empresa Iatros – Life Saving Systems.