Estudo inédito da Deloitte revela em números a contribuição dos ICTs privados para o país

CPQD é um dos 17 institutos que participaram do levantamento, que contou com o apoio da ABIPTI

3Mostrar o papel relevante que os institutos de ciência e tecnologia (ICTs) privados desempenham no país, tanto sob o aspecto de fomento à inovação como, também, do impacto socioeconômico positivo decorrente de sua atuação, em termos de geração de receita, de impostos e de empregos. Essa é a proposta do estudo inédito conduzido pela Deloitte, com o apoio da Associação Brasileira de Instituições de Pesquisa Tecnológica e Inovação (ABIPTI), que teve como base informações e dados fornecidos por 17 ICTs brasileiros – entre eles, o CPQD – que atuam nas áreas de Tecnologia da Informação e Comunicação (TIC) e Energia.

Divulgado no início de outubro, o estudo Impacto de Institutos de Ciência e Tecnologia Privados no Brasil revela que as atividades realizadas pelos ICTs, combinadas às tecnologias e conhecimentos produzidos, adicionaram à economia R$ 6,2 bilhões em 2020, além de gerar mais de R$ 24,7 bilhões em receita total e 156,9 mil empregos. O levantamento aponta, ainda, que mais de R$ 5,9 bilhões foram arrecadados em tributos decorrentes das ações das entidades nas esferas federal, estadual e municipal.

“São dados importantes, que mostram que esse é um setor altamente estratégico que vem trazendo resultados muito positivos para o país”, afirma Cristian Cunha, diretor de Relações Institucionais do CPQD. “Esse raio-X do setor deixa claro que o aporte de recursos em um ICT não é gasto, mas um investimento que traz retorno para o país. E isso tanto em receita e arrecadação de impostos, que é muito maior do que o investimento, como também na geração de empregos para profissionais qualificados, o que é fundamental para a nossa soberania tecnológica”, acrescenta.

Cristian destaca o papel relevante do CPQD nesse ecossistema de inovação brasileiro, bem como de entidades setoriais das quais a organização participa – entre elas, a própria Abipti, a P&D Brasil, a Telebrasil, a Brasscom e a ABRAC (Associação Brasileira de Avaliação da Conformidade). “Há 45 anos, o CPQD desenvolve tecnologias e inovações que têm uma participação importante nos resultados apurados nesse estudo inédito, que nasceu a partir de uma discussão dentro da Abipti sobre a contribuição dos ICTs para o nosso país”, ressalta o diretor.

O estudo

Com base nas informações fornecidas pelos ICTs, o estudo da Deloitte revela as repercussões socioeconômicas e relativas à geração de tecnologia dessas entidades voltadas ao amparo ao setor privado no país. Além do CPQD, participaram do levantamento os seguintes institutos: Atlântico, BRISA, Fundação CERTI, CESAR, Instituto Eldorado, FIT – Instituto de Tecnologia, FITec, Instituto Nacional de Telecomunicações – Inatel, INDT, Instituto de Pesquisa do Centro Universitário Facens, Instituto Recôncavo de Tecnologia (IRT), Lactec, Laboratório de Sistemas Integráveis Tecnológico (LSI-TEC), NEPEN, SiDi e Venturus Centro de Inovação Tecnológica.

Entre 2018 e 2020, as dez áreas de conhecimento mais recorrentes entre os projetos de PD&I realizados pelos ICTs participantes foram as de Processamento em Linguagem Natural (NLP, na sigla em inglês), Analytics e Business Intelligence, Rede de dados, Comunicação móvel, Redes de Comunicação e 5G, Cloud Computing, Inteligência Artificial e Machine Learning, Internet das Coisas, Eletrônica embarcada em Consumer Electronics, Circuitos integrados e Sistemas Eletrônicos, e Controle, Automação e Robótica.

Atendendo a clientes em mais de 30 setores, os ICTs privados se concentram no segmento de Tecnologia da Informação, Produtos Eletrônicos e Ópticos, que responde por 47% do  volume de contratos. Mesmo com conhecimento especializado e globalmente pertinente, os institutos atendem basicamente clientes que operam no Brasil  – apenas 5% deles estão no exterior.

O trabalho destaca, ainda, que os mecanismos de fomento e incentivos correspondem à maioria dos recursos que financiam os projetos de PD&I e serviços especializados no país – 54% foram provenientes da Lei de Informática no ano passado.

Com base na avaliação dos principais projetos de PD&I desenvolvidos pelos ICTs privados, o levantamento revela a presença de equipes altamente qualificadas nos institutos: entre os funcionários dedicados à atividade de produção de conhecimento (o que equivale a 85% do quadro total de colaboradores), 12% são profissionais pós-graduados e 13% são mestres e doutores.

As informações compiladas pela Deloitte mostram também o papel relevante dos ICTs na academia e para as empresas: além da publicação de centenas de artigos técnico-científicos e dissertações de mestrado por ano e de patentes importantes, os institutos já ajudaram na estruturação de mais de 550 startups de diversos setores, principalmente as voltadas à Tecnologia da Informação.

Para Paulo Foina, presidente da Abipti, as conclusões do estudo revelam não só as capacidades e o potencial do setor para contribuir com as empresas, mas também as oportunidades que o país possui para alavancar o ecossistema de inovação nacional como um todo.