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23 de junho de 2026

Projeto OpenCare 5G Miguel Alves comprovou a eficiência da tecnologia para a realização de exames de imagem a distância

Piloto viabilizou a oferta de exames como ecocardiograma e ultrassonografia morfológica no próprio município, evitando deslocamento dos pacientes e reduzindo filas de espera

Mais de 900 exames realizados em nove meses, redução de 77% no tempo médio de espera por um desses exames e 100% de satisfação da comunidade atendida – que pode realizar o procedimento no próprio município, sem precisar viajar longas distâncias para obter um diagnóstico. Esses foram alguns dos resultados do projeto-piloto OpenCare 5G Miguel Alves, apresentados no encontro de encerramento dessa iniciativa que foi conduzida pela BP – A Beneficência Portuguesa de São Paulo, em parceria com o InovaHC (Núcleo de Inovação e Tecnologia do Hospital das Clínicas da USP), o CPQD e a Samsung Brasil.

Iniciado em maio de 2025, o piloto contou também com a parceria da Secretaria de Saúde de Miguel Alves, município do Piauí localizado a 117 quilômetros da capital Teresina e que tem 70% da população vivendo na área rural. O objetivo da experiência foi avaliar a possibilidade de uso da tecnologia 5G em aplicações de telediagnóstico, com a realização de exames como ecocardiograma e ultrassonografia por profissionais locais previamente treinados, sob a orientação de especialistas da BP, em São Paulo.

Para isso, o CPQD instalou em Miguel Alves uma rede privativa 5G com tecnologia Open RAN (rede de acesso por rádio aberta). Foi o primeiro teste de campo em ambiente real, realizado pelo Centro de Competência Embrapii-CPQD em Open RAN, envolvendo o uso dessa tecnologia em aplicação de telessaúde. Para a transmissão das imagens entre Miguel Alves e São Paulo, foi utilizada uma conexão de alta velocidade, baseada em infraestrutura de fibra óptica fornecida por um provedor local.

A conectividade de qualidade, com alta velocidade de transmissão e baixa latência, foi essencial para viabilizar o projeto, permitindo que exames complexos fossem realizados em Miguel Alves com acompanhamento remoto de especialistas, em tempo real. Para Raquel Alves Ribeiro, secretária de Saúde do município, a iniciativa trouxe inclusão e melhoria da qualidade do atendimento dos pacientes. “Havia uma demanda altíssima na fila de espera e muitas vezes o paciente nem conseguia fazer o exame, até porque exames como ecocardiograma e ultrassom morfológico não eram realizados em Miguel Alves”, contou a secretária.

Com o projeto OpenCare 5G, o ecocardiograma começou a ser realizado no município, a partir de maio de 2025, e em pouco tempo a espera por esse exame caiu de 180 dias para apenas 12. Em seguida, outros exames foram incluídos no piloto: ultrassonografia morfológica, a partir de julho, ultrassonografia para rastreio de endometriose, em agosto, e colposcopia, em dezembro. No total, foram 910 exames realizados (a meta era 900) durante os nove meses do projeto, que terminou em fevereiro deste ano.

O sucesso desse piloto mostrou que a tecnologia 5G pode ser aplicada para ampliar o acesso a exames especializados em regiões de vazios assistenciais, proporcionando redução de filas, qualidade de vida e a transformação do setor de saúde no Brasil.

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