Resultados de projetos de comunicações via rádio para a Defesa são apresentados em visita do chefe do CTEx ao CPQD

A interoperabilidade nas comunicações via rádio das Forças Armadas brasileiras é o foco de dois projetos em desenvolvimento pelo CPQD com o Centro Tecnológico do Exército (CTEx) que acabam de alcançar marcos importantes. Os resultados desses trabalhos foram apresentados ao General de Brigada Armando Morado Ferreira, engenheiro militar chefe do CTEx, durante visita às instalações do CPQD realizada na quinta-feira, 1.° de julho.

Um dos projetos faz parte do programa Rádio Definido por Software de Defesa (RDS-Defesa), que tem coordenação do CTEx e do qual o CPQD participa desde 2012. O conceito de Rádio Definido por Software permite que equipamentos genéricos, dotados de interfaces de RF mais flexíveis, operem em diferentes faixas de frequência de acordo com padrões de comunicações existentes. Para isso, os componentes do sistema de radiocomunicação, usualmente construídos em hardware, passam a ser implementados em software para computadores e/ou sistemas embarcados – o que torna o sistema de rádio programável, seguro e de fácil operação.

Na fase atual desse projeto, o CPQD está concluindo uma prova de conceito envolvendo o uso da forma de onda LTE (4G) na frequência de 700 MHz para o protótipo veicular do RDS-Defesa. “Entre os diferenciais da solução construída, destaca-se a segurança cibernética, inclusive com o desenvolvimento de uma tecnologia inovadora que protege a comunicação de interferências, intencionais ou não”, afirma o Coronel David Fernandes Cruz Moura, chefe da Comissão de Absorção de Conhecimentos e Transferência de Tecnologia na Fundação CPQD (CACTT-CPQD).

“O sistema monitora a qualidade do sinal de forma distribuída, nos celulares e na estação de rádio, detectando a presença de interferência prejudicial à comunicação. Nesse caso, um algoritmo desenvolvido no projeto processa as informações coletadas e atua automaticamente, mudando o funcionamento do sistema para um canal sem interferências”, acrescenta Moura. Em fase experimental, o sistema está sendo projetado para uso em comunicações táticas de banda larga, em aplicações como operações de reconhecimento, vigilância e monitoramento de missões em tempo real, entre outras, sendo um passo importante para a integração e evolução dos sistemas legados em direção às redes 5G, bem como para a evolução tecnológica para os sistemas de rádios cognitivos.

Além disso, as inovações desenvolvidas nesse projeto têm potencial de aplicação tanto em sistemas militares como civis. Adaptações podem ser feitas para, por exemplo, viabilizar seu emprego em sistemas de comunicação com uso dinâmico de espectro ocioso (White Spaces), cuja regulamentação está em discussão na Anatel. “Isso ampliaria as opções tecnológicas para levar conectividade 4G e 5G tanto a áreas rurais e remotas quanto a áreas altamente densas, atendendo cenários típicos de operações militares e, também, demandas do meio civil”, ressalta Fabbryccio Cardoso, coordenador técnico do projeto no CPQD.

O outro projeto, chamado de Terminal Integrado de Dados em Alta Frequência (TID-HF), está sendo desenvolvido para o Ministério da Defesa, sob a coordenação do CTEx. O objetivo é implementar uma solução de comunicação de dados e voz na faixa de frequência HF capaz de permitir o aproveitamento de rádios legados das Forças Armadas, que não têm capacidade de transmissão de dados. “Esse sistema embarca formas de onda em HF, desenvolvidas de acordo com padrões e normas militares, em um hardware de baixo custo. Além disso, oferece uma interface web que permite a comunicação entre os usuários por meio de mensagens curtas, bem como a transmissão de arquivos e mensagens de e-mail”, explica Flávia Martinho Ferreira Rocha, coordenadora técnica do projeto no CPQD.

Com término previsto para o primeiro trimestre de 2023, o projeto está finalizando sua primeira etapa de desenvolvimento, com a execução de testes de campo empregando rádios de uso das Forças Armadas. “O objetivo desses testes é estabelecer uma  comunicação sem fio segura, incluindo voz e dados, entre equipamentos alocados no CPQD, em Campinas, e no CTEx, no Rio de Janeiro, demonstrando a capacidade do sistema de estabelecer enlaces a distâncias que chegam a centenas de quilômetros”, enfatiza o Coronel David.

Ao final do desenvolvimento, o sistema TID-HF permitirá também embarcar formas de onda desenvolvidas no âmbito do programa RDS-Defesa, além da integração com equipamentos legados indicados pelo Ministério da Defesa.